10 de julho de 2026
'NO BATENTE'

Continuar trabalhando após a aposentadoria: entenda as diretrizes legais

Por João Paulo Silva Bombo | joao.paulo@jpjornal.com.br
| Tempo de leitura: 3 min
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Cada aposentado deve considerar sua situação individual e suas metas pessoais ao tomar a decisão de retornar ao trabalho

Na busca por entender as nuances da aposentadoria e o desejo de muitos aposentados de permanecerem ativos no mercado de trabalho, é crucial conhecer as regras que regem essa situação. A legislação brasileira estabelece diretrizes específicas para aposentados que desejam continuar trabalhando após obterem seus benefícios.

A possibilidade de continuar no mercado de trabalho após a aposentadoria está diretamente relacionada ao tipo de benefício obtido. Os principais tipos de aposentadoria que permitem que o profissional continue trabalhando são: aposentadoria por idade, aposentadoria por tempo de contribuição, aposentadoria da pessoa com deficiência, aposentadoria híbrida e aposentadoria rural.

Nos casos mencionados, a decisão de continuar ou não trabalhando após a aposentadoria fica a critério do trabalhador. Muitas vezes, aposentados optam por permanecer na mesma empresa para complementar sua renda.

Entretanto, também é viável buscar novas oportunidades de trabalho, até mesmo em campos profissionais diferentes. Não há impedimento para que um aposentado inicie uma carreira completamente nova ou retorne ao mercado de trabalho após um período de afastamento.

Segundo Tamilis Santos Pio, advogada especializada em direito do trabalho e civil, a regra geral estabelece que os aposentados pelo INSS têm permissão para continuar trabalhando após a aposentadoria, seja por idade ou tempo de contribuição, com exceções conforme a Emenda Constitucional 103, que trata da reforma da previdência.

"Ao optar por continuar trabalhando após a aposentadoria, o aposentado perde o direito aos principais benefícios do INSS, como auxílio-doença, auxílio-acidente e seguro-desemprego. Apenas em dois casos específicos os aposentados podem continuar a receber benefícios: reabilitação profissional para auxiliar no retorno ao trabalho e salário-família para segurados de baixa renda com filhos menores de 14 anos", explica.

Uma nota importante é que os aposentados do INSS que continuam trabalhando podem ter o direito de sacar o saldo do FGTS mensalmente, desde que atendam às regras estabelecidas pelo fundo. No momento da aposentadoria, o trabalhador também pode receber a certidão para saque do PIS, se tiver direito, além do FGTS. Caso o aposentado continue trabalhando na mesma empresa em que se aposentou, ele pode sacar o FGTS mensalmente. No entanto, se ele for trabalhar em outra empresa, o saque mensal não é permitido, sendo possível somente no caso de rescisão do contrato de trabalho.

Apesar dos benefícios, o retorno ao trabalho após a aposentadoria não está isento de desafios. A adaptação a novas tecnologias, a integração em equipes multigeracionais e o equilíbrio entre trabalho e lazer são algumas das questões que podem surgir para esses profissionais.

"No meu ponto de vista, na fase de aposentadoria, a pessoa poderia aproveitar mais esse “descanso” visto que já deve ter se dedicado muito a prestações de serviço, salvos os aposentados que desejam retornar ao mercado de trabalho como empreendedores autônomos, pois muitos não se veem sem fazer “nada”. Entendo que o retorno deve ser leve, sem tantas cobranças de si por salários altos, jornadas longas, respeitando claro a realidade de cada aposentado, visto que quem recebe tão somente um salário mínimo de aposentadoria, talvez não tenha outra opção a não ser retornar ao mercado de trabalho, haja vista o custo de vida alto que estamos tendo ultimamente", conclui.