10 de julho de 2026
COVID

Em Piracicaba, 1,2% das crianças com menos de 5 anos se vacinaram contra a covid-19

Por Roberto Gardinalli | roberto.gardinalli@jpjornal.com.br
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Arquivo/JP

Estudo da Fiocruz, divulgado na última quinta-feira (17), apontou que a cobertura vacinal contra a covid-19 em crianças com idade entre seis meses e quatro anos é de apenas 11,4% em todo o Brasil. O estudo considerou o número de crianças que estão com o esquema vacinal completo, ou seja, que tomaram ao menos duas doses da CoronaVac ou três doses da Pfizer infantil, no caso de crianças com idade entre seis meses e quatro anos. A vacinação contra a covid foi ampliada para esse público em janeiro deste ano.

O recorte local é ainda mais preocupante. De acordo com a plataforma VaciVida, do governo do Estado de São Paulo, em Piracicaba, desde o início da campanha voltada às crianças com menos de cinco anos, a cobertura vacinal é de 1,20%. No total, 1.825 crianças completaram o esquema vacinal. Segundo a plataforma, 3.061 crianças receberam a primeira dose e 301 tomaram a terceira dose, de reforço. Em outra faixa etária, dos 5 aos 11 anos, a cobertura vacinal abrange 18.370 pessoas com o ciclo vacinal contra o vírus completo, o que representa 51,9% dessa população na cidade.

Segundo o infectologista Tuffi Chalita, a queda na cobertura vacinal das crianças é preocupante pois os casos de covid ainda existem, apesar da gravidade dos quadros ter diminuído. “O pior de tudo é que, essas cepas, justamente pelo fato de as pessoas não tomarem a vacina, e também focado nesse público infantil, acabam disseminando e formando novas cepas vacinais, impedindo que haja uma diminuição importante da doença. Agora, está aumentando o número de casos”, disse. “Para a população, parece que acabou a covid. Na verdade, não tem casos graves como a gente tinha antes, mas existem, e existem bastante casos ainda”, completou.

O especialista citou, ainda, que parte da população não leva os filhos para tomar a vacina, ou decidem não tomar, por conta de boatos envolvendo efeitos colaterais. “A vacina contra covid, assim como qualquer outra vacina, tem seus efeitos colaterais. Mas é muito mais comum, por exemplo, trombose em pessoas que não tomaram. E isso é em torno de oito vezes maior. O fato de ter efeitos colaterais na vacina é muito mais controlável do que quando o indivíduo se deixa acometer pela doença”, explicou.

CAMPANHAS
Na opinião do médico, as campanhas de divulgação das vacinas possuem um papel fundamental para que a cobertura vacinal aumente e, por consequência, a segurança da saúde das pessoas, também. “A cobertura vacinal para crianças caiu de uma maneira brutal nesses últimos anos, isso graças a intencionalidade de grupos antivacina. O que nós estamos vivendo, não só em relação à vacina da covid, mas em todas as outras, é o reaparecimento de casos de sarampo, pessoas com gripe, e às vezes gripes graves, que levam essas gripes para outras pessoas, que são públicos que sofrem mais com o agravamento dessas doenças, isso se fez de uma forma importante”, disse. “É preciso fazer campanhas, divulgação para que a gente consiga pelo menos diminuir o número de pessoas que não ligam mais para isso. O número de absenteísmo está aumentando novamente, e olha que nós temos vacina à disposição, não precisa mais nem agendar”, completou.

A SMS (Secretaria Municipal de Saúde) informou que a vacinação contra a covid-19 para todos os públicos está disponível de segunda a sexta-feira nos Crab (Centro de Referência para Atenção Básica em Saúde), das 8h às 15h (exceto no Crab Paulista) e no PSF (Posto de Saúde da Família) de segunda a sexta-feira, das 8h às 16h. Além disso, a população pode agendar a vacinação para todas as idades e reforços pelo site vacinapira.sp.gov.br.