11 de julho de 2026
PIRA, 256 ANOS

Toninho, aos 86 anos, relembra momentos da infância e juventude vividas na Rua do Porto

Por Fernanda Rizzi |
| Tempo de leitura: 3 min
Claudinho Coradini/JP

A Rua do Porto, em Piracicaba, é muito mais do que uma simples rua. É considerada um verdadeiro tesouro histórico e cultural para a cidade. A via margeia o famoso rio Piracicaba, ao longo dos anos se tornou um símbolo da identidade local, atraindo visitantes de todas as partes que participam de suas festividades, gastronomia típica e artes locais.

Porém, para os moradores, a Rua do Porto é muito mais do que um local turístico. Ela é uma parte essencial de suas vidas, um espelho que reflete suas histórias, tradições e laços profundamente enraizados na comunidade. Nesse contexto, destaca-se a figura de Antônio Carmo Rodrigues Paes de Menezes, carinhosamente conhecido como Toninho, que possui uma conexão de 86 anos com essa icônica via, tendo vivido desde sua infância até a vida adulta na via mais famosa de Piracicaba.

Enquanto ainda era jovem, Toninho lembra-se das memórias vivas de sua infância, quando residia com sua mãe em uma casa repleta de histórias e também a ajudava em seu bar. "Eu passava muito tempo lá, minha mãe tinha o bar, e eu sempre estava lá para ajudá-la", conta ele ao Jornal de Piracicaba. Recorda também das peculiaridades, como o padrinho dos Frades que usava batina e morava atrás do bar, além de alguns episódios de roubos que aconteciam na região.

Outra lembrança afetiva é a da primeira televisão que sua mãe adquiriu, tornando-se a pioneira entre os moradores da Rua do Porto, quando tinha aproximadamente 12 anos. “Era uma televisão antiga. Meus amigos vinham assistir TV em casa, sentávamos no chão e também tinha um sofá velho. Todo mundo vinha em casa”, relembra.

A paixão por entretenimento também marcou a vida de Toninho, quando frequentava o "circo do veneno" que se instalava próximo à beira do Rio, proporcionando alegria e diversão aos moradores locais. Além disso, ele era aguardava a Festa do Divino, acompanhando a tradição desde o primeiro dia. “Eu já levava meus filhos lá. Minha mãe costumava colocar a bandeira no divino na rua do Porto.”

Esportes também fizeram parte de suas lembranças afetivas, como as acaloradas partidas de Bosch que muitas vezes resultavam em disputas entre os jogadores. E, é claro, não poderia faltar o futebol, onde Toninho jogava em um campinho próximo ao rio, com a bola frequentemente caindo nas águas. “Eu jogava bola lá, a bola caia no rio e tínhamos que ir buscar”, cita.

Entretanto, nem todas as lembranças são de alegria. As enchentes também deixaram marcas profundas em sua história. Toninho recorda-se das águas avançando até a esquina, sendo a casa de sua mãe uma das primeiras a ser atingida durante a enchente de 1962. Anos mais tarde, em 1982, outra enchente devastadora fez com que ele perdesse tudo em sua própria casa, levando-o a recomeçar a partir de um terreno adquirido naquele momento. “A Itapeva era aberta e subiu água e invadiu a casa. Perdi tudo. Fiz um negócio, dei uma entrada nesse terreno aqui”, relembra.

Outro marco significativo para Toninho foi a época da restauração da Ponte Pênsil, bem como a construção da moderna Ponte Estaiada, momentos que representaram um importante capítulo na história da Rua do Porto para ele.

A vida pessoal também é repleta de significado para Toninho. Ele se casou com Tereza e juntos tiveram quatro filhos: Adilson, Sérgio, Alexandre e Andrea. Ao longo dos anos, ele desfrutou da companhia de seus filhos, levando-os para passear de carrinho de rolimã quando a conhecida área de lazer ainda estava em construção.

Além de sua estreita ligação com a Rua do Porto, as memórias de Antônio se estendem ainda mais longe, como o dia em que testemunhou a trágica queda do Edifício Comurba, um dos acontecimentos mais marcantes na história de Piracicaba. Ele estava atravessando a rua quando tudo aconteceu, e a visão da poeira e do caos deixou uma lembrança eterna em sua mente. “Eu vi apenas poeira. Eu esperei para ver o que tinha acontecido e, então, o Comurba tinha caído e todos estavam na rua assustados. Foi muito feio. Eu passava ali todos os dias, era caminho do trabalho”, se lembra.

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