11 de julho de 2026
PIRA, 256 ANOS

Frederico Mitooka: ‘Tenho enorme prazer em trabalhar por Piracicaba’

Por Erivan Monteiro | erivan.monteiro@jpjornal.com.br
| Tempo de leitura: 5 min
Alessandro Maschio
Mitooka nasceu e foi criado em Presidente Prudente. Veio para Piracicaba, aos 23 anos, no meio do ano de 1998

Quando desembarcou em Piracicaba, há 25 anos, o atleta, professor e gestor esportivo Frederico Mitooka, 48, tinha como meta “somente” estudar Rádio e TV na Unimep (Universidade Metodista de Piracicaba) “porque queria fazer filmes ou ter um programa de TV relacionado com lutas, artes marciais e atividades fins”. No entanto, a Noiva da Colina reservou muito mais a ele: aqui, ele se desenvolveu como atleta e treinador de taekwondo, formou novos campeões, criou inúmeros projetos sociais, conheceu sua companheira e viu sua filha nascer.

“Devo muito a essa cidade por tudo que conquistei e espero poder contribui mais com meu trabalho que se firma nos valores do respeito, da família e da hierarquia, que para mim são a base de uma sociedade. E sei que, através do esporte praticado de forma séria, tudo isso é possível”, declarou o mestre.

“Apesar de não ser piracicabano de origem, me sinto como se fosse e tenho enorme prazer em trabalhar por Piracicaba. Sou conselheiro do município há mais de 14 anos, se não me engano, e gosto de discutir políticas públicas para o esporte piracicabano. Isso é um voluntariado que faço com muito gosto pela cidade na qual chamo de minha também”, emendou.

Mitooka nasceu e foi criado em Presidente Prudente. Veio para Piracicaba, aos 23 anos, no meio do ano de 1998. Ao chegar, descobriu que haveria vestibular para Rádio e TV na Unimep somente no início do ano seguinte. Então, começou pelo curso de Publicidade e Propaganda.

No entanto, a sua carreira não seria na comunicação e sim o esporte. Mas essa história aconteceu por mero acaso. “O taekwondo, assim como em muitas artes marciais, tem faixas pretas que se aventuram em ser professores em busca de uma colocação no mercado de trabalho. Tive 4 desses professores que começavam a dar aulas e paravam. Com um deles, aluguei um barracão em meu nome e montei um tatame para ele dar aula e eu poder treinar. Mas, em menos de 6 meses, ele foi embora e me vi obrigado a me especializar para dar aulas no lugar dele e honrar o aluguel. Esse foi um período muito difícil, mas de muito aprendizado que graças a tudo isso, estou onde estou”, relata.

E assim, foi como tudo começou. A partir daí se desenvolveu como atleta, técnico e gestor esportivo. “Eu sempre treinei atletas desde quando era atleta. Mas a coisa ficou séria mesmo depois que perdi a final dos Jogos Abertos em 2007 no ‘ponto de ouro’. O secretário de esportes na época me aposentou ‘meio que na marra’ para que eu me tornasse técnico e gestor. Como eu tinha bom relacionamento com os atletas de alto rendimento e uma boa formação universitária para montar e executar projetos, fui realizando parcerias na cidade, recrutando atletas expoentes e outros com potencial para virem morar aqui. Em 2008, já éramos uma referência nacional no desporto olímpico”, lembra.

Com o esporte de competição, veio outro sonho: os projetos sociais. “Uma coisa que é de minha natureza é a responsabilidade social. Sempre tive a preocupação em criar oportunidades para quem não tem. E tenho a certeza de que o esporte é a melhor ferramenta de transformação social que existe”, diz.

O primeiro projeto foi realizado com o governo do Estado, em parceria com o professor Luiz Antônio Chorilli, em 2000. “Desse projeto, saiu a professora Leidiane Aguilar, que hoje é a coordenadora de nosso grupo”, declara. Depois, veio outro projeto, desta vez nas dependências do Tiro de Guerra.

Com a visibilidade do bom trabalho, ele foi convidado para ser técnico da Seleção Brasileira e da Seleção Brasileira Universitária nos principais eventos do mundo. “Mas, acredito que o maior feito foi nos anos de 2012 e 2013, quando comandei a seleção nacional de Aruba na Copa do Mundo por Equipes e no Campeonato Pan-Americano, além de formular o plano de trabalho do país, que garantiu a presença pela primeira vez em uma edição dos Jogos Olímpicos (Rio de Janeiro/2016). Nesse período, contribui para história do esporte mundial, deixando a marca de nosso grupo no pódio dos principais eventos do planeta”.

Projetos sociais devem atender mais de 700 crianças e adolescentes até 2024

Depois de muitos anos no esporte de alto rendimento, o gestor esportivo Frederico Mitooka resolveu parar e se dedicar exclusivamente aos projetos sociais. “Estipulei que em 2016 colocaria um ponto final e que faria esporte de uma outra forma. De lá para cá, meu foco está em batalhar por políticas públicas ao esporte de formação e desenvolvimento, transmitir conhecimento aos mais novos, propagar os esportes olímpicos através do trabalho de base, gerir projetos e auxiliar os nossos associados do Centro Esportivo Dojan Nippon a treinarem por saúde e qualidade de vida através da experiência que adquiri nessa jornada” conta.

E assim foi. Atualmente, além do taekwondo, o gestor administra projetos sociais nas modalidades boxe e ginástica rítmica, todos esportes olímpicos. “Atendemos hoje em torno de 250 crianças e adolescentes em 10 locais diferentes na cidade. Para o segundo semestre, temos a previsão de atender mais 200 crianças em dois locais diferentes através de parceria com a Liga Nacional de Taekwondo”, projeta.

“E em 2024, já temos aprovado e captado mais um projeto federal para atender 300 crianças em 3 locais diferentes. Não sei se vou manter esses três novos polos ano que vem na cidade; talvez eu destine a outras cidades nas quais temos professores de nosso grupo trabalhando. Mas isso é uma questão a ser analisada ainda” complementa Mittoka.

Reconhecido profissionalmente, sua estada Piracicaba reservou também alegrias na vida pessoal. “Em 2004, lutei na categoria absoluta e fiquei com a quinta colocação no mundial universitário da Grécia, perdendo na luta da medalha para um britânico por 6 a 5. Mas apesar do resultado, foi lá que conheci a Débora (Débora Nunes, atleta olímpica de taekwondo), que hoje é minha companheira e mãe de minha filha Yooko. Então valeu a pena a viagem (risos)”, lembra.

Além do trabalho, mulher e filha, o gestor revela outra paixão: é aficionado pelo cartão-postal da cidade. “Escolhi Piracicaba para viver, pois sou um apaixonado pelo rio, tanto que resolvi levar uma vida de ribeirinho. Tenho a pesca esportiva como uma das coisas que mais gosto de fazer. Sempre que posso, desço o rio de caiaque ou vou pescar com minha filha, que, apesar de ser muito agitada e ter pouca paciência, sempre pega um peixinho ou outro que, após uma foto, devolvemos para água”, finaliza.

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