10 de julho de 2026
ELAS NO APITO

Mulheres iniciam curso exclusivo de arbitragem: ‘Momento muito importante'

Por Erivan Monteiro | erivan.monteiro@jpjornal.com.br
| Tempo de leitura: 2 min
Claudinho Coradini/JP
É a primeira vez que a AAPR oferece um curso de arbitragem somente para as mulheres

“Sou uma das pioneiras na arbitragem feminina”. A recepcionista de hotel Luzia Ferreira é experiente na arte de apitar. Desde 1994, quando fez o curso na FAF (Federação Alagoana de Futebol), ela vive a emoção de comandar uma partida de futebol. Em seu currículo, há três finais de campeonato de futebol amador de Rio Claro, nos anos de 2018 e 2019, quando apitou duas decisões.

Apesar de conhecer bem as regras, Luzia é uma das 40 alunas do 1º Curso de Formação de Árbitras da AAPR (Associação de árbitros de Piracicaba e Região), que começou nesta terça-feira (18). A aula inaugural aconteceu no anfiteatro do Museu Prudente de Moraes, no Centro. “A gente sempre tem algo a aprender”, conta Luzia, humilde.

O curso da AAPR é muito tradicional em Piracicaba e região e neste ano inovou com uma edição somente para elas. Segundo os organizadores, inicialmente eram 35 inscrições, mas, devido à grande procura, esse número aumentou para 40 e ainda há fila de espera.

A vendedora Camila Urbano também já fez a capacitação para árbitro e árbitro assistente em anos anteriores, mas resolveu voltar a estudar. “Desde 2006, quando eu via a Ana Paula Oliveira, senti o desejo de fazer. Em 2008, eu e minha filha começamos e agora vim para dar continuidade”, explica.

Jocelita Luciano, outra aluna do curso, tem experiência como mesária de campo, mas agora quer ser árbitra-central. Ela não teme possíveis dificuldades por ser mulher e ter de apitar um jogo de homens. “No início acho que vai ser meio assustador, mas vai ser legal”, contou. 

Coordenadora-pedagógica do curso, Franciele de Morais lembrou que essa edição “é um marco” na AAPR. “Estamos na 26ª turma de formação e capacitação de árbitros e é o primeiro da história da escola exclusiva para mulheres. Eu, como árbitra, vejo que temos grandes árbitras na AAPR, mas precisamos de muito mais”. Atualmente, entre 8 e 10 árbitras atuam pela AAPR e algumas outras como mesárias.

Franciele lembra que a mulher nunca teve tanto espaço no esporte mais popular do mundo. “A gente está vivendo um momento muito importante na arbitragem. Tem a Edina (Alves) como ídola, a Neusa Back, ou seja, vários nomes... E estamos na véspera de uma Copa do mundo Feminina...Então tem tudo para dar certo”, finaliza.

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