A aprovação do projeto de lei estabelecendo que os organizadores de corridas de rua, maratonas, meias maratonas e outras competições semelhantes, realizadas em Piracicaba, destinem no mínimo 10% do valor arrecadado com as inscrições para premiação dos atletas vencedores nas categorias geral e por faixa etária, masculino e feminino, não foi bem visto pelos organizadores de eventos.
Para os empresários ouvidos pela reportagem, a lei vai prejudicar a prática esportiva pelos amadores, que é o maior público participante das provas. A categoria vê a medida como um "desserviço".
A matéria, de autoria da vereadora Ana Pavão (PL), ainda determina os critérios como devem ocorrer as premiações para os eventos com até mil participantes e para os que tenham mais de mil participantes, além dos percentuais de pagamento dos prêmios, conforme cada categoria. O projeto isenta da obrigação os eventos que cobrarem valor inferior ou igual a R$ 10 por inscrição.
Aprovada no início do mês pela Câmara Municipal, a lei foi vetada pelo prefeito Luciano Almeida (PP). A autora disse desconhecer as razões do veto e que soube do impedimento por telefone. Para o empresário Guilherme Celso, da Chelso Sports, uma das maiores oragnizadoras de corridas na cidade, a aprovação da lei vai deixar Piracicaba como a cidade com inscrições mais caras de todo Brasil. O que, segundo ele, vai trazer um efeito cascata na diminuição de participantes em consequência da diminuição de provas.
De acordo com o empresário, além da qualidade de vida, corrida traz muitos benefícios para as cidades, como a movimentação de restaurantes, hotéis, pontos turísticos e comércio, trazendo dinheiro pra cidade. "É uma lei que vai oferecer um desserviço à população. Vai beneficiar somente os competidores profissionais e prejudicar muitos outros", apontou.
O organizador da The Ark Brazil, Antônio Carlos Folha, disse que já organizoau duas provas em Piracicaba. Ele acredita que a lei não inviabiliza eventos do gênero na cidade, mas admite que dificulta a realização. "Ateltas de outras cidades vêm para ganhar os prêmios, prejudicando os amadores, devia ser de outra forma, como doação, mas pagar para prova amadora não é o certo", opinou.
Para professor Rogério Cardoso, a lei mostra desconhecimento da vereadora em relação a organização de uma prova. "No mundo sedentário, onde 50% das pessoas são sedentárias, essa é a forma mais democrática da pessoa iniciar a prática de uma atividade física", apontou admitindo a inviabilidade das corridas na cidade.
A vereadora disse que ouviu uma empresa no dia da votação e não foi procurada antes para discutir a proposta. "Caso o projeto seja vetado, estou disposta para apresentar emenda e deixar de uma forma que atenda aos dois lados", afirmou. "Em momento algum eu tive intenção de prejudicar alguém, muito pelo contrário e, sim, valorizar o esporte na nossa cidade", acrescentou.
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