11 de julho de 2026
GUIDOTTI JR

Ex-secretário não descarta prefeitura, mas apoia gestão de Luciano Almeida

Por André Thieful | andre.estevao@jpjornal.com.br
| Tempo de leitura: 7 min
Claudinho Coradini/JP

José Luiz Guidotti Jr. deixou a administração municipal na terça-feira (20). A troca na titularidade da Semdettur (Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico, Trabalho e Turismo) foi anunciada pelo prefeito Luciano Almeida. No lugar de Guidotti, assumiu a secretaria José Luiz Ribeiro, ex-presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Piracicaba.

A substituição na pasta gerou certa surpresa porque o agora ex-secretário era tido como “prefeiturável”. Nesta conversa com o JP, Guidotti não descarta disputar o cargo de chefe do Executivo, mas garante apoio à reeleição do prefeito Luciano Almeida, caso ele decida concorrer. Também afirma que pensava em deixar o cargo desde o começo do ano, para se dedicar à sua vida empresarial.

Bacharel em Direito, Guidotti tem especialização em incorporação imobiliária e MBA pela FGV (Fundação Getúlio Vargas). O filho de José Luiz Guidotti e Regina Helena Fonseca Guidotti nasceu em 17 de julho de 1968. É casado, tem um filho, uma nora e dois irmãos.

Guidotti você ficou quanto tempo na Semdettur?
Eu assumi a Secretaria de Trabalho e Renda, que era a antiga Semtre, no início do mandato do prefeito Luciano, em janeiro de 2021. Fizemos já nos meses iniciais a primeira reforma administrativa da gestão, que foi a criação da Semdettur, Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Trabalho e Turismo, onde nós tiramos o desenvolvimento Econômico que estava atrelado à (secretaria) de governo, o que não nos parecia nenhum pouco razoável, você ter o desenvolvimento econômico junto a estrutura de Governo. Por outro lado nós também trouxemos o Turismo que estava atrelado à (secretaria) de Cultura, com o viés de fazer com que o turismo tivesse uma pegada de geração de trabalho e renda. Mesmo porque, quando nós assumimos, estávamos em plena pandemia e o setor do turismo foi o mais afetado. Então a gente precisava dar uma atenção especial em relação à organização do setor do turismo, num pós-pandemia. E aí assim nasce a Semdettur.

No setor de Turismo, você entende que atingiu o seu objetivo?
O turismo em Piracicaba, a vocação dele, é um turismo de negócios, porque Piracicaba não é uma cidade destino turístico, ninguém vai em uma agência de turismo pra comprar um pacote pra passar férias em Piracicaba. Então o turismo que acontece aqui é o turismo das pessoas que vem até aqui para fazer negócios e aí você acaba proporcionando um turismo para esse turista que vem passar aqui dois, no máximo três dias. Eu acho que houve um avanço muito grande nessa retomada pós-pandemia no turismo rural e turismo de aventura, porque as pessoas passaram, na plena pandemia, a se concentrar no seu entorno. Isso foi muito interessante, porque a pessoa, por exemplo, conhece o outro lado do mundo, sai de Piracicaba para ir pra Europa, para a Argentina, para a África, para o Nordeste, mas não conhece a Serra do Itaqueri, que é do nosso lado, a Serra de São Pedro turismo rural nunca foi pra Santana, Santa Olímpia. (Com a pandemia) as pessoas acabaram criando esse hábito de você fazer o turismo no seu entorno. Tanto é que nós aderimos ao consórcio das cidades turísticas da Serra do Itaqueri e também passamos a fazer políticas públicas regionais.

Mas, enfim, o que você tinha em mente você acha que cumpriu?
Sim, acredito que sim. É uma sequência, não termina aqui. E, eu deixei pronto para uma discussão muito importante com o governo do Estado de São Paulo transformar a região da Serra do Itaqueri em distrito turístico. Nós conseguimos colocar Piracicaba em 2021 como destino número um de turismo de negócios pela Secretaria Estadual de Turismo e no final de semana passado nós fomos finalistas em turismo gastronômico, porque Piracicaba está se fortalecendo muito no turismo gastronômico da nossa Rua do Porto, do bairro Monte Alegre, Santana e Santa Olímpia. Então são destinos dentro da cidade que estão se fortalecendo na gastronomia, tanto é que nós ficamos entre os três destinos gastronômicos de 2022. Também organizamos toda a documentação para tornar a cidade apta para se transformar em MIT (Município de Interesse Turístico). E já existe um projeto de lei para ser aprovado na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo e, quem sabe, a gente vai ter a felicidade de Piracicaba ser reconhecida como MIT.

O que muda se essa classificação sair?
Significa que Piracicaba passa a receber, anualmente, uma verba em torno de R$ 750 mil para ser investido diretamente no turismo.

E na secretaria de Desenvolvimento Econômico, qual a avaliação do seu trabalho?
Esse foi o maior desafio. Nós recebemos uma secretaria desidratada, desestruturada. Era gerido por dois heróis servidores. Um já havia pedido transferência e eu iniciei o trabalho na secretaria com uma única servidora. Eu iniciei o mandado com um trabalho de estruturação da equipe, transferindo servidores para estruturar o departamento que dentro da Prefeitura não existia, até então. Fazia apenas um papel burocrático. Paralelo a isso, e aproveitando a experiência do prefeito Luciano Almeida, que foi secretário da Indústria e Comércio municipal e estadual, a gente montou um sistema de trabalho para tornar Piracicaba atrativa para novos investimentos. Fizemos uma interlocução muito boa com a Investe São Paulo, que é o braço de desenvolvimento econômico do governo do Estado de São Paulo e, de cara nós conseguimos entrar na disputa para trazer a Klabin para Piracicaba.

Como foi essa história?
Disseram, olha é difícil, vocês chegaram aos 45 minutos do segundo tempo porque são oito cidades que estão pleiteando isso. A gente não sabia ainda qual era a empresa, só falaram quais eram as características necessárias para a empresa vir para a cidade. Identificamos três áreas e começamos o trabalho com a Investe São Paulo que culminou, depois de oito meses, Piracicaba sendo escolhida para receber esse grande investimento, um dos maiores do Estado desde 2021, que é R$ 1,6 bilhão na primeira fase, podendo quadruplicar em uma segunda fase. Essa vai ser a maior fábrica de papel ondulado do mundo, a mais moderna e sustentável, porque ela trabalha com
papel reciclado.

Para a vinda da Klabin surgiu uma demanda, que é a conclusão do anel viário. Como ficou isso?
Um dos compromissos que a Investe SP trouxe para esse investimento em Piracicaba é obter, através do governo do Estado, a antecipação da conclusão do anel viário, que hoje ele termina na estrada de Rio Claro e ele seguirá até o trevo onde está o distrito Uninoroeste, na rodovia Geraldo de Barros. Essa era uma contrapartida do governo garantida pelo então governador Rodrigo Garcia, mas houve essa troca de governo e estamos pleiteando. O (prefeito) Luciano está trabalhando para obter esse compromisso de antecipação do governador Tarcísio de Freitas e tudo está caminhando para isso.

Guidotti, na geração de empregos, qual o saldo da sua gestão?
A gente conseguiu reverter um deficit de empregos que a cidade vinha enfrentando. De 2017 a 2020, Piracicaba fechou com saldo negativo de 3.884 vagas. Maior parte desse saldo negativo foi em 2018 e 2019. Agora, a gente entrega a secretaria com um saldo positivo de janeiro de 2021 a abril de 2023, de 17 mil postos de trabalho com
carteira assinada.

Você saiu recentemente da secretaria, por qual motivo?
Quando eu fui convidado, aceitei porque entendi que era uma oportunidade para eu contribuir um pouco com a minha cidade. Minha família toda aqui, eu sou piracicabano, minha família sempre esteve envolvida com projetos sociais. Meu pai, meus tios e avós fizeram muito pela cidade. Eu senti que, naquele momento, era a minha vez de contribuir com a cidade, mas fui com a meta de ficar um ano e meio, dois anos. Então, desde o começo do ano já estava tratando com o prefeito da minha saída. Ele foi muito resistente, não queria que eu saísse, mas é que eu tenho uma atividade empresarial bastante intensa e tenho negócios também fora de Piracicaba e não estava mais conseguindo conciliar as agendas da Prefeitura com a minha empresa. Eu ficava praticamente 95% dedicado à prefeitura e 5% à empresa e isso começou me incomodar bastante, porque ou você faz bem-feito uma coisa ou não faz. Então, eu preferi sair e abrir espaço para alguém que tivesse uma dedicação exclusiva à prefeitura.

 

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