O plenário do Senado aprovou na noite desta quarta-feira (21), o nome de Cristiano Zanin para a vaga no Supremo Tribunal Federal (STF). Foram 58 votos a favor do indicado e 18 contra. A indicação foi aprovada mais cedo na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) por 21 votos a 5 em uma sessão de quase oito horas
Zanin foi indicado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para assumir a vaga aberta com a aposentadoria de Ricardo Lewandowski. O indicado ganhou notoriedade nacional por ter sido advogado de Lula nos processos da Lava Jato, que levaram o hoje presidente à cadeia por 580 dias. O trabalho colocou o advogado contra o então juiz Sergio Moro, responsável pela operação. Hoje, Moro é senador pelo União Brasil do Paraná e participou da sabatina.
O advogado tornou-se pessoa de confiança do petista. Zanin não negou sua relação com Lula na sabatina, mas fez o possível para diminuir a importância da defesa do petista em sua carreira profissional - focou suas falas na sua trajetória no direito empresarial. Ele também evitou se posicionar sobre temas polêmicos, como a lei das estatais, descriminalização das drogas e aborto.
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), parabenizou Cristiano Zanin após o Senado aprovar suas indicação à Corte por 58 a 18 votos.
"Parabéns ao ministro Cristiano Zanin pela merecida aprovação no Senado Federal. Tenho absoluta certeza de que o Brasil ganhará com sua atuação competente e corajosa em nossa Suprema Corte", disse em nota.
Após o nome de Zanin ser oficializado por Lula, outros ministros já elogiaram a indicação - entre eles, André Mendonça e Kássio Nunes Marques, indicados pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, além de Gilmar Mendes e Luiz Fux.
QUEM É CRISTIANO ZANIN?
O advogado Cristiano Zanin nasceu em Piracicaba, tem 47 anos, mudou-se para São Paulo em 1994, para cursar direito na PUC-SP (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo), formando-se em 1999. Após a graduação concluiu especialização em direito processual civil pela mesma universidade. Zanin foi professor de direito civil e direito processual na Fadisp (Faculdade Autônoma de Direito), na capital paulista.
Começou a trabalhar como advogado em 2000, no escritório Arruda Alvim, onde trabalhou como estagiário quando cursava direito. Em 2004, passou a ser sócio do escritório Teixeira Martins Advogados. Em 2022, abriu seu próprio escritório, em sociedade com a esposa, Valeska Martins, filha de seu ex-sócio Roberto Teixeira, o qual havia atuado por muitos anos como advogado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Em 2013, Zanin tornou-se advogado de Lula e ganhou destaques ao assumir a defesa de Lula, em atuação conjunta com os advogados criminalistas José Roberto Batochio e Luiz Felipe Mallmann de Magalhães nos processos das investigações da Operação Lava Jato.
Em 2021, um pedido de habeas corpus junto ao STF (Supremo Tribunal Federal) pelos advogados de Lula, resultou na anulação das condenações de Lula na Operação La Jato, tendo o supremo tribunal reconhecido a parcialidade do então juiz federal Sérgio Moro. Com a anulação das condenações Lula pode ser candidato a presidência da República em 2022, no qual sai vitorioso no 2º turno na disputa com o então presidente Jair Bolsonaro. Zanin trabalhou na coordenação da campanha do candidato Lula.
Com os resultados das eleições dando a vitória para Lula, Zanin foi convidado para compor o grupo técnico sobre Justiça e Segurança Pública, na equipe de transição de governo comandada pelo vice-presidente eleito Geraldo Alckmin.
No início de 2023, Zanin passou por um grande constrangimento. Foi abordado por apoiadores bolsonaristas no banheiro do Aeroporto Internacional de Brasília, onde foi insultado e ameaçado de agressão. As imagens circularam pelas redes sociais, o autor afirmava que Zanin deveria ser agredido por sua atuação na defesa de Lula. Após o acontecido Zanin lamentou o ocorrido. O homem responsável pela gravação do vídeo e ameaça foi identificado e indiciado por ameça, injúria e incitação ao crime.
'Faltou responder algumas perguntas de maneira mais objetiva', diz Moro após sabatinar Zanin
O senador Sergio Moro (União Brasil-PR) não gostou do que ouviu como resposta aos seus questionamentos feitos ao advogado Cristiano Zanin na sabatina da comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, que funciona como o primeiro passo para definir se o indicado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) vestirá a toga de ministro do Supremo Tribunal Federal (STF). "As respostas não foram muito precisas", resumiu Moro ao ser questionado sobre o desempenho do sabatinado.
"Faltou responder algumas perguntas de uma maneira mais objetiva", resumiu Moro ao ser questionado sobre o desempenho do sabatinado", afirmou Moro. "Não ficou claro, por exemplo, em que casos o indicado, caso aprovado, vai se declarar suspeito ou impedido para julgamentos do Supremo Tribunal Federal", disse.
O senador citou especificamente a a contratação de Zanin como advogado pelas empresas JBS e da J&F para revisar os acordos de delação premiada firmados entre os empresários desses grupos e os membros da extinta Lava Jato. Caso seja aprovado, Zanin poderá votar na ação que tramita no STF para definir se poderão ser revistos todos os tratados realizados pelos procuradores e juízes da operação.
Segundo o parlamentar, "ficaria mais confortável se o indicado tivesse dito que não julgaria qualquer causa envolvendo o presidente Lula no Supremo" e que não se pronunciaria sobre nenhum caso da operação Lava Jato", já que, segundo Moro, "ele tem juízo muito definitivo" sobre o tema.
Moro comentou a atuação de Zanin na sabatina logo após votar na CCJ. O senador se recusou a expor como foi seu voto, mas garantiu que o faria em seu discurso no plenário do Senado caso o nome do advogado seja aprovado na comissão. Como mostrou o Estadão, a sabatina reviveu o confronto entre os dois nos processos em que o presidente Lula foi condenado e acabou preso
Com processos anulados pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e Zanin indicado pelo petista para assumir uma vaga na Corte, coube a Moro apresentar até o momento a maior lista de perguntas na inquirição do advogado na CCJ do Senado. Da relação familiar com Lula aos processos da Lava Jato, o senador cobrou uma posição do indicado ao STF.
Moro, assim como outros senadores de oposição, destacou a proximidade de Zanin com Lula. "Ele foi advogado particular, que é uma situação diferente, por exemplo, do ministro André Mendonça, que foi AGU (advogado-geral da União) em você defende o governo federal. Ainda que o presidente fosse Jair Bolsonaro, você está defendendo o governo federal. Não é uma relação pessoal, particular", disse. (Com Agência Estado)
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