Victor Alberto Totti, conhecido carinhosamente como Vitinho Totti, é o atual presidente da Irmandade do Divino Espírito Santo de Piracicaba, entidade que realiza ações para ajudar as famílias com baixa renda e, também, a Festa do Divino–celebração que completa 197 anos neste ano, sendo a mais antiga de Piracicaba.
Há três anos na gestão da Irmandade, a aproximação do empresário de 62 anos com os festejos começou desde a sua infância, quando frequentava a casa de seus avós, que ficava próxima a Rua do Porto, e seu pai o levava para assistir o Encontro das Bandeiras. Com esse costume, Victor pegou gosto pelo festejo e sempre participava como espectador. Hoje, na presidência da Irmandade, ajudou a entidade conquistar muitas vitórias, entre elas: a nova pintura da sede da Irmandade e a reinauguração da Capela do Divino Espírito Santo, que ficou fechada durante anos.
Em decorrência da pandemia, agora o foco é a divulgação da Festa do Divino e a volta do calor festeiro dos piracicabanos. E, também, manter a carreata com a motociata neste ano, pois é está é a representação de fé e um convite para que a população participe da festa não somente para celebrar os seus princípios, mas contribuir com uma entidade que tem um olhar voltado para o próximo.
Nesta conversa com o Jornal de Piracicaba, Victor Totti fala sobre a importância da celebração, sua mensagem, dos trabalhos realizados pela Irmandade do Divino Espírito Santo e em como a Festa do Divino é essencial para ações sociais, além de contribuir com o turismo e a economia local da cidade de Piracicaba.
Como começou a sua trajetória com a Festa do Divino?
De criança meu pai me levava para ver o Encontro das Bandeiras,oque fui pegando gosto, porém sempre participando como espectador.
Para você, o que significa ser presidente da Irmandade do Divino Espírito Santo de Piracicaba e realizar uma das maiores e mais tradicionais celebrações da cidade?
É um orgulho muito grande e um prazer enorme fazer parte dessa comunidade. Comecei como voluntário há 6 anos recolhendo pratos nas festas. Em seguida, fiquei responsável pela barraca de espetinhos e ter uma participação maior junto a diretoria em decisões e realizações de eventos. Assumi a diretoria em plena pandemia tendo que fazeracoisa virar,aIrmandade nãoésóaFesta do Divino, também realizamos nossas ações sociais mensalmente, assistindo famílias menos favorecidas com cestas básicas, fraldas geriátricas e remédios dentre outros. Não temos nenhum tipo de incentivo financeiro, tudo que arrecadamos é consequência dos eventos que idealizamos e realizamos.Éum trabalho árduo porém gratificante, somos todos voluntários, ninguém tem salário. É tudo feito com muito carinho, dedicação e fé.
Como é realizada a organização da festa? Após o término já inicia as preparações para a próxima edição?
Após 15 dias do término da festa, nos reunimos e já fazemos o calendário do ano seguinte, sempre tirando por base o dia de Pentecoste, no qual se inicia as comemorações religiosas com a realização da Missa do Envio das Bandeiras. Na semana seguinte realizamos a Carreata da Fé, que foi criada na pandemia pelo fato da Bandeira não poder fazer a visita presencial nas residências dos Devotos. A festa na integra é realizada na primeira quinzena do mês de julho não tendo uma data fixa para o inicio.
Apesar da Festa do Divino ter suas raízes religiosas, vários elementos populares foram incorporados à festa. Hoje, quais são esses elementos?
Embora haja diversos relatos da Festa do Divino em vários países da Europa, inicia em Portugal no final do século 12, eéintroduzida no Brasil pelos portugueses por volta de 1765. Em Piracicaba, propriamente dita, tem as raízes na cidade de Itu e procuramos todos esses elementos incorporados, lembrando que a festa foi criada para comemorar os resultados da colheita e parte dela era destinada ao sustento dos menos favorecidos.
Qual significado e identidade a Festa traz para cidade de Piracicaba?
A Festa do Divino é a mais antiga e tradicional da igreja católica de Piracicaba.
A Festa completa 197 anos neste ano. Como a Festa do Divino nasceu em Piracicaba?
No estado de São Paulo há dois tipos distintos de Festa do Divino: a realizada no rio e na terra, as realizadas revivem a tradição, pois as primeiras aconteciam no caminho mais fácil e natural, os rios. Os barcos desciam rio abaixo para levar mantimento e remédios aos povoados mais afastados e iam dando os tiros de trabuco (fogos) para avisar os povos da sua chegada e eles vinham ao encontro com suas canoas.
Neste ano, como está a programação da Festa? Haverá novidade para o público?
A Festa será realiza de 09 a 16 de julho. A novidade fica por conta da nossa busca em encontrar algo que substitua a queima de fogos no encontro das Bandeiras, embora seja tombado, juntamente com a Festa.
Qual o impacto eainfluência em outros segmentos, como por exemplo, o turismo eaeconomia local?
É a mais antiga e tradicional festa da Igreja Católica de Piracicaba e atrai muitos devotos e turistas de outras cidades e regiões do Brasil para a cidade. A Festa atrai devotos de todas as regiões e de todas as partes do País. Estamos há 40 dias paraafesta e já temos tendo muitas consultas das cidades da região, como de outros estados. A Irmandade do Divino de Santa Catarina, por exemplo, é uma das que costumam divulgar as nossas atividades. Então, a festa promovida em Piracicaba, é uma celebração conhecida em todo o Brasil.
O que é a Irmandade do Divino Espírito Santo de Piracicaba?
A Irmandade do Divino é uma entidade sem fins lucrativos, responsável junto com a Diocese em realizar todos os anos a Festa do Divino e que tem por finalidade reverter todo dinheiro arrecadado em ações sociais e manutenção da nossa sede. Tudo o que fazemos é revertido para a manutenção da sede.
Como a arrecadação da festa contribui para as atividades da Irmandade do Divino Espírito Santo de Piracicaba?
A arrecadação da festa é a nossa principal fonte de renda, porém não chega a ser suficiente para cobrir os gastos do ano todo. Há poucos anos atrás tínhamos a Seresta uma vez por mês no Largo dos Pescadores, um evento promovido pela Semac (Secretaria Municipal da Ação Cultural) e explorávamos juntamente com os bares estabelecidos no Largo a parte gastronômica. Isso parou com a pandemia e não retornou mais, nos obrigando assim a promover eventos em nosso salão a cada 60 dias. Parte do recurso da última festa reformamos a Capela que já estava fechada há 4 anos, fizemos também alguns reparos estruturais na nossa sede e como não poderia deixar de mencionar, fizemos a pintura externa e partes internas do salão, esse porém com o patrocínio da Acefer e mais 13 pintores profissionais que executaram os serviços voluntariamente.
As celebrações já tiveram início no dia 28 de maio e terá seu auge no dia 15 de julho, com o Encontro das Bandeiras no Rio Piracicaba. Como estão as expectativas para a festa neste ano?
As expectativas sempre as maiores possíveis, esperamos a presença de todos, independente da crença.
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