Com o avançar do outono e aproximação do inverno, estação, que, além de ser a mais fria, é naturalmente a mais seca do ano, é comum que as pessoas comecem a associar as condições climáticas com problemas na respiração. O agravamento de quadros, como alergias, e até doenças causadas por vírus e bactérias, pode ter relação com a baixa umidade relativa do ar, analisada nesse período. De acordo com a previsão do tempo do Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia), a umidade relativa do ar, entre hoje (4) e terça-feira (6), deve começar a cair e ficar entre 40% e 30%.
De acordo com o Ministério da Saúde, o ideal é que a umidade do ar fique entre 50% e 80% e, abaixo de 30%, o estado já é de atenção. De acordo com o pneumologista Murilo Angeli Piva, a baixa umidade do ar afeta diretamente o sistema respiratório, já que é mais fácil que as pessoas respirem mais partículas de poeira suspensas no ar, além de afetarem a saúde das vías respiratórias. “A baixa umidade aumenta o número de partículas em suspensão no ar. Então, a gente respira muito mais poeira. A umidade faz com que essas partículas caiam. Além disso, você vai ter um ressecamento na via aérea, porque a umidade ajuda a manter a hidratação”, explicou o médico. “Fica ruim para respirar, e o corpo começa a produzir uma secreção mais espessa. É bem comum que, depois que depois de uma secreção mais espessa, você tenha uma condição de imunidade mais baixa. A queda na umidade faz com que a gente perca um pouco da defesa, então pode entrar uma bactéria ou um quadro viral”, disse.
Além disso, segundo Piva, a imunidade é afetada nos períodos que combinam a secura do ar com a temperatura, porque as pessoas tendem a ficar em locais mais fechados, o que favorece a proliferação de doenças virais. “Essa associação das pessoas entre baixa umidade e doenças respiratórias é bem comum. Normalmente, no frio, ficamos num ambiente mais fechado. Então, você tem uma maior contaminação de pessoas, já que uma pessoa contaminada pode passar para outras”, citou. “Essa secura, para quem já tem doença pulmonar crônica, vai piorar. Isso por conta da poeira e das partículas. Uma pessoa que tem asma, ou que é alérgica, vai ter mais poeira dentro do pulmão. Então, vem a reação inflamatória, alérgica, o que faz ela piorar”, completou.
CUIDADOS
Durante De acordo com o médico, as pessoas devem se atentar à hidratação do corpo. E é possível perceber isso de maneira simples. “Uma maneira é observar a cor da urina. Ela tem que estar bem clarinha, bastante fluida e em bastante volume. Nessa época de frio, a gente acaba tomando menos água. O principal cuidado é se hidratar bastante, tomar bastante líquido”, orientou. “Nessa época, a gente acaba tomando menos água, mas temos que manter”, disse.
Além disso, Piva orienta para que as pessoas se atentem à umidade do ar. Soluções caseiras podem ser tomadas para ajudar a manter o ambiente mais úmido. “Para algumas pessoas mais sensíveis, o ideal é umidificar o ar, principalmente à noite, que é a hora em que ele fica mais seco. Os umidificadores são bons, mas tem que ter alguns cuidados com a higiene, posição, onde vai ser o fluxo da fumaça”, disse. “Tem maneiras mais práticas. A melhor que tem é a toalha molhada. Muita gente pergunta se pode ser uma bacia. Pode, mas a toalha evapora muito mais porque a superfície é maior”, comentou. “O mais legal é pegar uma toalha molhada e pendurar próximo de onde você dorme. É muito comum que ela amanheça seca”, completou. “Esses são os cuidados principais: se hidratar e umidificar o ambiente”, finalizou.
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