23 de maio de 2026
ANABOLIZANTES

Cardiologista da Santa Casa explica excessos, mitos e verdades sobre substância

Por Nani Camargo | nani.camargo@jpjornal.com.br
| Tempo de leitura: 2 min
Arquivo Pessoa
Guilherme Reis Rodrigues Alves é médico da Unidade Coronariana da Santa Casa

O Conselho Federal de Medicina proibiu os médicos de prescreverem anabolizantes para desempenho esportivo, ganho de massa muscular ou fins estéticos. O tema é controverso. Afinal, essas substâncias fazem mal à saúde?

“Os Esteróides Anabólicos Androgênicos, também conhecidos como EAAs, são fármacos com objetivo de tratar condições patológicas ou serem coadjuvantes dentro de esquemas terapêuticos. Sendo assim, por definição, os EAAs se comportam como qualquer outro medicamento; possuem os efeitos esperados que trazem benefício, doses adequadas e propostas, regras de utilização, via de administração, toxicidade, efeitos colaterais e riscos relacionados ao uso.

Pensar que os EAAs são substâncias que tem apenas a capacidade de aumentar a força ou gerar hipertrofia em um indivíduo é desconhecer completamente a farmacologia dessas substâncias e tratá-los como heróis ou vilões, demonizar ou endeusar é uma visão maniqueista míope que tira o foco do que realmente é importante”, diz Guilherme Reis Rodrigues Alves, médico da UCO (Unidade Coronariana) da Santa Casa de Piracicaba.

Ele avalia o cenário atual em uma polarização: de um lado entidades médicas e profissionais advogando veementemente contraouso; e por outro, os usuários recreacionais, em busca de performance e estética, que sem orientação adequada fazem uso por conta própria. “E entre os dois polos temos aqueles indivíduos que necessitam dos EAAs por diversas condições clínicas e doenças”, pontua. O médico divide a utilização de anabolizantes “em duas estradas distintas”: a primeiraéaindicação terapêutica, ou seja, para tratar alguma condição patológica. “Como exemplo temos o uso da Testosterona para tratar o Hipogonadismo, que é uma doença que acomete os homens quando há uma deficiência na produção natural de testosterona por diversas causas”. Já a segunda estrada éada performance e estética. “O potencial de gerar força e hipertrofia é inequívoco e dentro desse contexto costuma se fazer uso de doses mais elevadas. Esse uso não tem respaldo terapêutico e nos faz entrar na seara de discussão de desejo pessoal, livre arbítrio e autoimagem. Mas discutir esses temas não precisa ser um tabu ou circunscrito por preconceito, afinal, a comparação imediata que podemos fazer é com a cirurgia plástica estética, com seus riscos e benefícios”, declara o cardiologista.

Ele finaliza categorizando os anabolizantes “nem como mocinho, tão pouco vilões”. “Os EAAs são ferramentas que se bem usadas podem trazer grande benefícioàsaúde daqueles que precisam. A tentativa de proibir o uso, as campanhas de “bomba tô fora” são preconceituosas e miram no alvo errado, pois marginalizam o usuário”.

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