11 de julho de 2026
TRADIÇÃO

33ª Paixão de Cristo de Piracicaba vai ter inovações teatrais e áudio ao vivo

Por Da Redação | Jornal de Piracicaba
| Tempo de leitura: 3 min
Claudinho Coradini/JP
As inovações paraaedição de 2023 são propostas de Dagoberto Feliz para tornar o espetáculo mais orgânico

Tradicionalmente encenada na semana da Páscoa, a 33ª Paixão de Cristo de Piracicaba está prestes a estrear com novidades no formato que devem tornar a apresentação ainda mais viva para o público e elenco. O espetáculo mais popular da cidade, que está entre as maiores produções nacionais a céu aberto, acontece de 6 e 9 de abril (quinta-feira a domingo), às 20h, no Parque Engenho Central. Na Sexta-feira Santa haverá uma sessão extra, às 17h, totalizando cinco apresentações nesta temporada. Nesta edição de 2023, Dagoberto Feliz será o diretor artístico e Marcella Vicentini é assistente de direção e preparadora corporal de elenco.

A venda dos ingressos para a arquibancada pode ser realizada online no site megabilheteria.com. O valor da arquibancada é R$ 20 (inteira) ou R$ 10 (meia-entrada). Também serão vendidos ingressos diretamente na bilheteria do espetáculo, arquibancada e cadeiras numeradas, com abertura duas horas antes da apresentação.

O orçamento arrecadado para 2023 foi de R$ 500 mil. O ano passado, cerca de 8.500 espectadores acompanharam a programação. Por isso, a expectativa é alta para esta edição. São esperadas no Parque Engenho Central até 2.500 pessoas por sessão.

As inovações de 2023 são propostas de Dagoberto Feliz para tornar o espetáculo mais “orgânico”. Para isso, a ideia do diretor foi tirar o som gravado. Deste modo, os atores usarão microfones para expressar as falas dos personagens. Porém, as inovações não terminam aí. Dagoberto afirmou que está trazendo para a Paixão de Cristo um pouco da sua longa experiência com teatro de grupo. “Cheguei com esta demanda e querendo primeiramente conhecer as pessoas. Não sabia muito o que iria acontecer. Ao longo dos ensaios foram surgindo algumas ideias que estarão na encenação”, conta o diretor.

Apesar de parecer simples, a questão do uso de gravação foi sempre uma alternativa técnica para tornar o som mais nítido à plateia. Pois o vento, o arfar dos ator e se mesmo outros problemas com equipamentos poderiam arruinar a apresentação. Após conversar com profissionais da área, neste ano a equipe sentiu-se confiante de fazer a tentativa do texto sendo dito ao vivo, mas com algumas adaptações, para não comprometer a qualidade.

“Falei com o Guarantã e o pessoal do som, propusemos esse novo formato com o elenco principal: teremos sempre um ator ou atriz dublando e outro (a) fazendo a cena. Em cada dia de apresentação uma dupla cumprirá uma determinada função. Ou seja, quem fez a voz na noite anterior, será o corpo do personagem no dia seguinte e vice-versa”.

Os atores que estiverem fazendo a dublagem deverão ficar em um espaço dedicado a isso, à vista do público. A exceção são os personagens de Cristo e Verônica, além das três narradoras que serão novidade nesta edição. Isso porque as locutoras serão fixas, enquanto que as duplas de atores responsáveis por Cristo e Verônica trocarão entre si os momentos como voz e corpo, em todas as sessões.

Este tipo de encenação, conforme Dagoberto, faz parte de um estilo de teatro bastante conhecido no universo das artes cênicas. “É um estilo chamado teatro épico narrativo, também considerado meta teatral, pois busca não enganar o público. Todos sabem que o que está acontecendo é um teatro. Convidamos, deste modo, quem assiste a entrar nesta brincadeira”.

A encenação de teatro épico narrativo concentra-se no papel dos atores contando uma história, para além da interpretação de um personagem dramático. Deste modo, quem interpreta não é o fundamental, o mais importante é a narrativa. Um exemplo da dinâmica de seleção para as personagens é o de Hortência de Souza, que, apesar de muitos anos fazendo a Paixão de Cristo, irá interpretar pela primeira vez o maior vilão da história.

Já os textos que serão falados pelas narradoras, construídos para o espetáculo de 2023, contaram com a contribuição do dramaturgo Denilson Oliveira.

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