A 60ª edição da Campanha da Fraternidade vai abordar - e pela terceira vez - a questão da fome no Brasil. Com o tema Faternidade e Fome, a ação da Igreja Católica pretende fomentar ações, em todos os níveis, para minimizar os impactos da realidade na vida de parte da população brasileira. De acordo com a Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional, no Brasil, mais de 33 milhões de pessoas estão em situação de fome, o que fez o país voltar a aparecer no Mapa da Fome da ONU (Organizações das Nações Unidas), depois de uma década.
"A emergência sobre o assunto fez com que, pela terceira vez, a CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) assumisse a realização de uma Campanha da Fraternidade que trouxesse luz ao tema", informou a conferência.
Como acontece em todos os anos, o tema da Campa-nha da Fraternidade é comunicado na Quarta-feira de Cinzas. Em missa celebrada na Catedral de Santo Antônio, o bispo da Diocese de Piracicaba, dom Devair da Fonseca, falou sobre a campanha. "Os temas (da campanha) chamam à reflexão e conversão e chamam à fraternidade. Neste ano, a campanha tem como tema Fraternidade e Fome e o lema 'Dai-lhes vós mesmo de comer', que é tirado do Evangelho segundo Mateus", anunciou o bispo.
Segundo ele, nos textos da campanha há reflexão sobre a realidade e uma proposta para que os católicos tenham a consciência e as atitudes possam ser transformadoras na sociedade.
Dom Devair afirmou que não é preciso ir longe para falar de fome. O religioso disse que, nas periferias de Piracicaba e dos 15 municí-pios que compõem a Diocese. "Uma cidade bonita, que tem uma beleza natural muito grande que é desenvolvida, com polos industriais e educacionais mas, no meio de tudo isso nós vemos também a realidade da pobreza, que fica mais escondida nas peri-ferias, e também espalhadas nos semáforos, onde há muitos haitianos, bolivianos e venezuelanos", disse se referindo a Piracicaba.
A Campanha da Fraternidade 2023 será lançada oficialmente neste domingo em cerimônia no Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida, em missa celebrada pelo arcebispo de Belo Horizonte e presidente da CNBB, dom Walmor Oliveira de Azevedo.
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