Em estado de calamidade desde o último sábado (18), decretado pelo governo federal, cidades do Litoral Norte de São Paulo enfrentam uma tragédia causada pelas fortes chuvas que atingiram a região no final de semana. Os municípios de Bertioga, Caraguatatuba, São Sebastião, Ilhabela e Ubatuba foram os mais atingidos pelas tempestades.
O desespero da população local, que busca uma forma de sobreviver após enchentes e deslizamentos de terra, se encontra com o medo dos turistas que, agora, começam a procurar formas de sair da região. Na última quarta-feira (22), o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), pediu para que os turistas voltem para casa para reduzir a pressão dos serviços sobre os serviços no litoral.
Antes do pedido do governador, grupos de turistas já procuravam maneiras de sair da região de forma segura. Esse é o caso da família do corretor de imóveis José Maurício Mofatto, de Limeira, na RMP (Região Metropolitana de Piracicaba), que foi passar o final de semana de Carnaval na cidade de Caraguatatuba, onde possuem uma casa no bairro do Capricórnio, próximo à praia de Massaguaçu. “A chuva começou no sábado à noite, por volta das 21h30, mas era uma chuva bem tranquila. De madrugada, a chuva começou a apertar. Tinha muito raio, trovão. Nós precisávamos ir embora no domingo. Quando eu acordei, saí para fazer uma caminhada e comecei a ter uma noção do que tinha acontecido. Encontrei alguns vizinhos que comentaram que estava tudo alagado”, contou.
Segundo o corretor de imóveis, as saídas próximas à casa onde estavam ficaram comprometidas pela água. Além da chuva, o rio Capricórnio, que corta o município e deságua na praia da Lagoa Azul, havia transbordado. “Temos dois caminhos para sair. Um deles já sai direto na Rio-Santos, mas a estrada estava toda alagada. O outro caminho ainda cai na Rio-Santos, mas um pouco mais para frente. Lá estava mais alagado que a saída principal. Se alguém precisasse ir para o centro da cidade, não conseguia”, contou.
Para que o nível da água transbordada baixasse, a Defesa Civil de Caraguatatuba precisou abrir uma barreira no limite da Lagoa Azul, o que ajudou no escoamento da água. “Toda a água que transbordou do rio foi para o mar. Isso foi depois do meio-dia. Perto das 15h, a água já tinha baixado e conseguimos ir embora. Como o caminho que pagamos não passava por São Sebastião, não chegamos a encontrar deslizamentos de terra até a serra”, explicou.
A intensidade das chuvas na região fez com que o trajeto antigo da serra, usado por quem vai descer para o litoral, fosse interditado. A solução das autoridades foi usar o caminho mais recente, utilizado para quem retorna à Capital e ao interior, para liberar o tráfego. “Fizeram um sistema de pare e siga. Em um certo ponto, formava um comboio que subia até a Tamoios com direção a São José dos Campos. Chegando lá em cima, eles fechavam a pista para quem ia subir e o comboio que ia descer, descia”, comentou. “Na nossa vez, conseguimos subir em 20 minutos. Depois disso, não pegamos mais chuva e conseguimos chegar em casa, aliviados”, finalizou Mofatto.
Clique para receber as principais notícias da cidade pelo WhatsApp.