A chegada de um bebê na família sempre é uma alegria e, nesse momento, várias coisas precisam ser organizadas e repensadas. Modificações são feitas na casa como pintura, compra de móveis, berço, roupinhas e tudo mais. Mesmo que não seja o primeiro filho, essa movimentação sempre acontece. Porém, por vezes esses casais se esquecem de algo muito importante, principalmente quando tem pets que é a adaptação dele a esse processo de nove meses e a chegada desse novo membro na família.
“Precisamos lembrar que gatos e, principalmente os cães, têm o olfato muito aguçados e quando treinados, conseguem identificar alguns tipos de câncer, antecipam e avisam a pessoa que ela está com a glicemia alterada ou na iminência de sofrer um episódio de convulsão, dando tempo de ela tomar um remédio ou chamar ajuda”, explica Oliveiros Barone Castro, psicólogo clínico e pesquisador especializado na relação humano animal.
Assim, fica fácil entender por vezes alguns cães percebem e sabem muito antes de sua tutora que ela está grávida, passando a mudar seu comportamento e até a cheirar ou deitar em sua barriga, ou seja, nada demais para eles.
Em alguns casos o cão passa a proteger a futura mamãe, a seguindo pela casa, deitando sob seus pés ou querendo dormir a seu lado, chegando às vezes até a mostrar certa reatividade quando alguém chega perto e, por causa de todos esses motivos, é preciso fazer a adaptação do pet no processo. O fenômeno ocorre, porque o organismo da mãe se transforma, passando a produzir hormônios específicos e o animal sente o odor pelo suor da mãe, pelo hálito ou urina. Além da mudança no corpo da mulher, muda também seu humor e a rotina, e os animais, sendo excelentes observadores, percebem tudo isso.
“Se não houver nenhuma restrição médica ou se a mãe não tiver problemas de alergia com pelos ou algo assim, não existe problema ou restrição de contato do animal com a gestante, desde que esse pet esteja devidamente vacinado e sem parasitas”, diz Oliveiros
Nesse período as simulações são importantes, então arrumar uma boneca do tamanho de um recém-nascido e a gravação de choro de neném embalando-o no colo, ajuda na adaptação do pet a essa situação. Deixar o animal cheirar a boneca e fazer carinho nele é o reforço positivo que demonstra que a aproximação equilibrada é aceita e desejada, pois sempre que ele se aproximar com calma será recompensado. Isso também mostra ao pet que ele não deixará de receber carinho por causa da presença do bebê.
Não deve ser admitido ou permitido aproximações afoitas, lambidas ou qualquer manifestação de querer brincar com a boneca, pois mesmo não existindo a intenção o pet pode machucar a criança quando ela estiver nessa situação.
Após o nascimento, para que se evite a manifestação do que chamamos hipervínculo e posse por recurso e que muitos entendem como ciúmes do animal, devemos deixar o pet cheirar a roupinha já usada pelo bebê, observando sua reação e fazendo carinho se ele se mantiver tranquilo. Depois, com cuidado deixá-lo se aproximar da criança recém-chegada em casa e deixar cheirar os pezinhos e ouvir os sons que emite, sempre conversando com o animal e reforçando atitudes tranquilas com o muito bem e carinho.
Lembrando que a presença do bebê deve trazer sempre coisas agradáveis ao animal, não esquecendo de dar atenção a ele, pois o pet vai continuar exigindo sua atenção. Compartilhar essa experiência entre o casal é muito importante, pois a mãe estará muito mais ocupada cuidando do bebê e o animal, justamente para que ele não se sinta deixado de lado, deve receber atenção sempre que possível sendo reforçado pelo bom comportamento.