O fechamento do campus Taquaral da Unimep (Universidade Metodista de Piracicaba) não traz reflexos apenas na educação da cidade e região. A destinação ainda incerta do piano de cauda Steinway - adquirido com recursos da Lei Rouanet, trazido dos Estados Unidos e inaugurado por Nelson Freire -; do órgão de tubos projetado especificamente para a capela do campus; o acervo da biblioteca que soma 400 mil títulos e os acervos ligados ao Núcleo Universitário de Cultura e ao Salão Universitário de Humor, mostra que a cultura de Piracicaba pode ter perdas importantes de itens que fazem parte da sua história.
Nesta sexta-feira (20), o Jornal de Piracicaba questionou o reitor da universidade, Ismael Forte Valentin, sobre qual o destino desses equipamentos, além do teatro instalado no campus, cujo terreno está à venda.
De acordo com o professor, a questão preocupa e exige cuidados. “Não dá para uma incorporadora comprar isso aqui para construir prédios e derrubar teatro, espaços de comunicação, estúdios. A gente não consegue pensar nisso”, admitiu, ao citar um exemplo do destino do terreno.
Segundo ele, uma alternativa é desmembrar as escrituras para preservar espaços como o teatro e, para isso, a equipe de engenharia está trabalhando no estudo da divisão do campus, dividindo as matrículas e, assim, vender o teatro para a prefeitura ou para o Governo do Estado ou ainda manter o teatro dentro da estrutura da instituição.
“Nós temos aqui no campus, que foi construído ao longo dos anos, muitos espaços, equipamentos e estrutura que nos preocupam e são questões que vamos ter de cuidadosamente ir trabalhando”, afirmou.
Quanto ao piano e ao órgão, Valentin apontou que poucas instituições no país têm equipamentos dessa importância. “O piano caríssimo, o órgão de tubos raríssimo na capela... Nós temos o centro cultural com o projeto de recuperação do telhado e da estrutura. Certamente nós vamos ter de acomodar ali o piano e o órgão”, admitiu.
“E não só os equipamentos como o piano, o órgão, mas espaços como o teatro e outras estruturas que a gente pode tentar trabalhar a preservação. Como a decisão é muito recente, com o movimento e com as ações é que nós vamos ter clareza dos encaminhamentos que precisamos”, disse, destacando que a prioridade agora é atender a parte acadêmica, com os alunos, para garantir a continuidade e a qualidade do ensino.
Segundo o reitor, um ex-secretário da Ação Cultural propôs à universidade ceder o piano para ser colocado no Teatro Municipal Losso Netto ou no Engenho Central para ser utilizado pelos segmentos numa parceria.
“Uma coisa que deve ser levada a sério é a destinação disso tudo, não podemos perder e temos de preservar”, ressaltou. Os equipamentos também podem ser levados para a Escola de Música, que, segundo Valentin, terá de ser preservada para poder acomodar as atividades da instituição.
Quanto ao acervo da biblioteca, Valentin citou que o MEC (Ministério da Educação) permite 100% da bibliografia digital e a universidade tem convênios com plataformas que oferecem acervo digital. “O MEC não exige mais o acervo físico e vamos ter as obras principais para este semestre disponíveis no campus do Centro e o que não puder acomodar lá, os alunos podem solicitar para ser levado”.
O reitor informou que o programa de doação de livros vai continuar sendo feito pela universidade. “O tema vai ficar para outro momento porque vamos ter um cuidado grande, assim, como o piano e o órgão”, afirmou.