10 de julho de 2026
HISTÓRICO

Colégio de Piracicaba dá início a campanha para restaurar piano histórico

Por Roberto Gardinalli | roberto.gardinalli@jpjornal.com.br
| Tempo de leitura: 3 min
Alessandro Maschio/JP

Dentro da Escola Estadual Barão do Rio Branco, um dos mais antigos de Piracicaba, existe um item raro e antigo, que despertou o interesse da diretoria e incentivou um resgate da história: um piano alemão, que foi construído na Berlim dos anos 1920.

A peça chamou a atenção da diretora da unidade, Ana Paula do Carmo, que durante a pandemia, começou a pesquisar e procurar itens históricos da escola. Somado, também ao apego de ex-alunos do colégio, veio a ideia de buscar a história da peça, restaurar e torná-lo funcional novamente. “Na época da Eleição, temos muitos ex-alunos que votam aqui. E muitos deles são senhorinhas que tocam piano, que chegaram a tocar nesse piano. E toda vez que eles vêm, querem ver o piano, chegar perto”, comentou a diretora.

“Na pandemia, como estávamos aqui sem alunos, começamos a cavocar as histórias. Foi quando começamos a separar os livros históricos”, comentou a diretora. O item faz parte do inventário da escola há quase 100 anos. Mas origem dele é um mistério. “Esse piano foi produzido em Berlim, pela empresa August Jaschinsky. Essa empresa foi fundada em 1880, e parou a sua produção em 1942. Nós não sabemos em que ano esse piano chegou aqui, mas sabemos que no inventário patrimonial de 1924 da escola, ele já está lá”, comentou o professor de História, Eduardo Fillet Spoto. “O interessante é que esse piano faz parte de um contexto histórico específico, que é a Belle Époque Caipira, que é um período do desenvolvimento das artes, ciência no interior do estado de São Paulo e do município de Piracicaba, que já era uma cidade conhecida na segunda metade do século XIX por ter vários institutos de ensino, como o Colégio Assunção e a própria escola Barão”, explicou.

MISTÉRIO
Apesar de as pesquisas feitas pelo professor e pela diretora apontarem um caminho, a idade do instrumento ainda é um mistério. Seguindo instruções de especialistas, eles conseguiram encontrar algumas pistas. “Essa data está inscrita dentro do piano ou em algumas teclas”, contou Spoto. O que deu uma direção da possível data de construção do piano foi uma tecla com o número ‘17’ inscrito em alto-relevo, na parte interna da peça.  “Descobrimos que esse piano estava sem as teclas, que foram guardadas em uma caixa, e encontramos essa tecla lá”, contou a diretora. “Só que nós tivemos uma divergência em relação a esse número, pois não sabemos se é o número da tecla, ou da data da fabricação”, contou Spoto.

Para se ter uma ideia mais precisa da idade e do processo de restauração, a diretoria da escola decidiu chamar especialistas para avaliar o instrumento. “Mostramos o piano para a Casa Levy, que é uma oficina que restaura pianos desde 1860 em São Paulo. Só assim vamos ter uma noção da data específica de fabricação do piano”, disse o professor.

RESTAURAÇÃO
Para que o piano volte a emitir notas musicais pelos corredores do colégio, será necessário restaurar a parte interna e externa do instrumento. O orçamento estimado da reforma é de aproximadamente R$ 30 mil. Para as doações, será aberta uma conta em nome da APM (Associação de Pais e Mestres).

E a volta do instrumento deve acontecer em grande estilo para quem já ouviu as melodias que saíram dele. “Temos várias ex-alunas que são pianistas, e gostaríamos de convidá-las para se apresentarem aqio, num piano que faz parte da história do Barão. Muita gente diz que é velho, não é. É antigo. E precisamos resgatar isso com os nossos alunos que estudam em uma escola que é centenária”, finalizou a diretora.