É muito comum em festas de fim de ano as comemorações com fogos de artifício - mesmo sabendo que tal medida é proibida por lei em Piracicaba e que pode gerar multa de R$ 5.009,00 ao infrator.
Grande parte da população se une para apreciar a queima de fogos em praças e praias em suas cidades para festejar a vinda do Ano Novo. Porém, não são todos que se sentem bem com os altos barulhos das explosões, de longa duração. Além de trazer pânicos para alguns idosos, crianças, adultos e pessoas no espectro do autismo, nossos pets também sofrem com o medo, causando prejuízos físicos e emocionais para eles.
Segundo o psicólogo clínico, pesquisador e especializado em comportamento e na relação humano/animal, Oliveiros Barone Castro, animais mais sensíveis, de maneira geral, sofrem mais e passam a apresentar comportamentos de ansiedade a qualquer som mais alto que ouvem, interpretando como um presentimento ruim. O impacto emocional é intenso e o instinto de fuga é acionado imediatamente. Por esse motivo, muitos acidentes ocorrem onde cães e gatos se ferem ou até morrem atravessando portas de vidro ou fugindo de qualquer maneira, pulando portões e muros.
"Por conta de questões evolutivas e de sobrevivência ao meio hostil, a audição canina foi se aperfeiçoando ao longo do tempo. Para se ter uma ideia da sensibilidade da audição dos cães, eles são capazes de ouvir timbres inaudíveis para o ouvido humano e quando qualificamos em ondas sonoras que são os Hertz que são medidas de frequência de ondas o ser humano capta sons com frequência ente 10 a 20 Hz, já os cães captam entre 10 e 40.000 Hz", explica Oliveiros.
Tais experiências podem causar sofrimento e medo extremo e se transformar em pânico e depois em trauma ou fobia, onde se observa geralmente a busca de um “local seguro” pelo animal, buscando locais pequenos e escondidos para fugir dos estrondos. Junto vem os tremores, taquicardia, pupilas dilatadas, episódios convulsivos e até a morte súbita.Tudo isso porque seu cérebro não consegue processar direito a leitura do ambiente, entrando no estado de luta ou fuga pela sobrevivência.
Ainda assim, existe algumas soluções e treinamentos para fazer com que seu pet não sofra com isso. Colocar o som de fogos ou trovões em volume baixo e ao mesmo tempo e estimular o cão com reforço positivo com petiscos e brincadeiras pode funcionar para alguns casos, porém não podemos ignorar o que muitas pessoas esquecem, até mesmo treinadores, o fato de que cães também tem o olfato muitíssimo aguçado e a memória olfativa segue junto com a memória auditiva criando uma memória emocional do episódio. Ou seja, fogos de artifício emitem som e cheiro, assim como a chuva que vem depois de ouvirmos os trovões e vermos o lampejo dos raios. Tudo isso fica junto na memória emocional do animal que tem esse conjunto de eventos como assustador. Por isso, cada caso deve ser tratado individualmente.
"Colocá-los em uma caixa de transporte antes dos eventos e ficar ao lado conversando e acalmando, ou então envolver o animal em um pedaço de tecido que os deixa com a sensação de estarem acolhidos e protegidos. Não ignore seu cão nesse momento de medo como algumas pessoas indicam, porém também não exceda nos cuidados, pois você estará mostrando para ele que algo realmente está muito errado e ele precisa ser protegido. Mantenha a postura e demonstre segurança", menciona.
O trabalho preventivo e antecipado é sempre o melhor caminho. Proporcionar ao animal uma boa socialização desde quando é pequeno o expondo de maneira gradual a todos os estímulos.