A ONG Greenpeace publicou em redes sociais um desenho criticando o agronegócio no Brasil. O desenho estava reproduzindo uma criança assistindo à Copa do Mundo que pergunta para sua mãe se é verdade que no Brasil, se come veneno, enquanto em outros países não. Segundo informações de especialistas no assunto esta informação é falsa, ou seja, uma fake news, enquanto isso o Congresso Nacional tenta modernizar a lei de defensivos que está em pauta deste 1999.
A reportagem do JP esteve com o presidente do Ccas (Conselho Científico Agro Sustentável) e professor da Esalq/USP (Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiróz), José Otávio Machado Menten que explicou as razões que mostram a informação falsa divulgada pelo Greenpeace.
“Temos um cuidado em excesso com a agricultura sustentável, e um dos maiores cuidados é o manejo de pragas, e porque esse cuidado e importante? Em regiões tropicais a ocorrência de pragas é muito maior do que uma região temperada, então no Brasil nós temos uma diversidade e uma quantidade de pragas muito maior do que em outros países com outro clima, e se deixássemos de utilizar utensílios agrícolas, a nossa produção cairia 50%, porque as pragas prejudicam muito as lavouras em nosso país”, explicou.
Segundo Menten o agricultor só pode adquirir produtos agrícolas com uma receita agronômica. “Um técnico habilitado normalmente um engenheiro agrônomo tem que fazer um diagnóstico e fazer uma determinação que as outras medidas de manejo integrado de pragas não foram suficientes para manter as pragas em uma população abaixo do dano econômico, e esses produtos tem que ser registrados, o processo de registro é muito rigoroso”, disse. Menten ainda disse que um novo produto demora em média dez anos para ser desenvolvido e chega a demorar mais oito anos para ser registrado. Os novos produtos têm que ser aprovados pela Anvisa, Ministério da Agricultura e Ibama.
Os pesquisadores que apresentam produtos que são nocivos à saúde são banidos automaticamente pelas autoridades brasileiras.
Menten relatou que as instituições públicas, universidades, Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) mesmo a iniciativa privada sempre está em busca de melhores produtos. “Nos últimos anos, a partir de 2015, estão aumentando o número de defensivos agrícolas biológicos que tem uma série de características que trazem ainda mais segurança para o meio ambiente e sociedade, isso mostra que estamos sempre em busca de alternativas cada vez mais seguras e mais sustentáveis”, explicou.
Sobre a utilização de resíduos agroquímicos nos alimentos, Menten disse que não é verdade. “Os próprios órgãos no Brasil, tanto no Ministério da Agricultura tem um programa nacional de controle de resíduo, como a Anvisa também tem um programa de análise demonstrando nos últimos anos que a quantidade de resíduos é pequena em nosso país, ou seja, é praticamente irrelevante”, definiu.
“O Brasil é a grande potência agrícola e ambiental, estamos alimentando quase 1 bilhão de pessoas no mundo, existem interesses de países que são nossos competidores e gostariam de implementar barreira não tarifária, como a de imagem irreal de nossos alimentos podem estar contaminadas com defensivos agrícolas, por isso, acredito que o Greenpeace disseminou essa informação falsa”, salientou.
A reportagem do JP tentou ouvir o Greenpeace, mas até a publicação dessa matéria a ONG não tinha se manifestado sobre o assunto.