08 de julho de 2026
ALERTA

Aumenta número de acidentes com escorpiões em Piracicaba

Por Beto Silva |
| Tempo de leitura: 2 min
Claudinho Coradini/JP
Em caso de picadas, não deve ser passado nada no local, só água e sabão

De acordo com o banco de dados da Vigilância Epidemiológica de Piracicaba, os acidentes com escorpiões têm registrado aumento na cidade. Segundo os números do setor, de janeiro até o dia 22 de novembro, foram 1.216 ocorrências com escorpiões, enquanto no mesmo período de 2021 foram 1.168 casos. Nos dois anos não foram registradas mortes causadas pelos peçonhentos. 

Segundo a bióloga do CCZ (Centro de Controle de Zoonoses), Regina Lex Engel, os acidentes com escorpiões ocorrem na cidade toda, tanto na região central, como nas mais periféricas e rurais,  porém, a incidência nos centros urbanos é maior, tanto pelas condições ideais que facilitam a ocorrência e disseminação, como pela prevalência do escorpião amarelo, espécie que possui o veneno mais potente, entre as duas que ocorrem na região (escorpião marrom).

“É importante lembrar que, em áreas naturais, próprias para ocorrência de escorpiões e outras espécies animais, os indivíduos vivem em ambientes onde existem predadores que controlam naturalmente as populações entre si, de acordo com as cadeias alimentares, havendo uma certa "homeostase" – condição de relativa estabilidade da qual o organismo necessita para realizar suas funções adequadamente para o equilíbrio do corpo – entre as espécies de um ecossistema. Assim, os predadores dos escorpiões, como corujas, sapos, lagartixas, se alimentam dessas espécies, enquanto, as mesmas, se mantêm em um número mais ou menos constante na natureza”, apontou a bióloga.

Outro fator que controla as populações, não só de escorpiões, como de todas as espécies, é o clima e as condições ambientais, que são fatores limitantes à sobrevivência dos animais e das plantas.

Nas cidades, os escorpiões amarelos se adaptaram muito bem a viver na rede de esgoto, onde podem se deslocar livremente, sem a presença de predadores, e onde encontram alimento em abundância (que são as baratas), e onde as condições ambientais são excelentes, havendo calor e umidade muito satisfatórios, que proporcionam alta taxa reprodutiva.

Além disso, o escorpião amarelo se reproduz sozinho, não havendo machos dessa espécie, onde as fêmeas podem se reproduzir por partenogênese, a partir dos óvulos que se dividem, sem a necessidade de fecundação, formando os ovos e os filhotes (em torno de 15 a 20) que nascem prontos.

“Dessa maneira, a urbanização é um fator que aumenta em muito a probabilidade de ocorrência de animais sinantrópicos, como o próprio nome diz, de se adaptarem a viver cada vez mais próximos de nós e de nossas residências”, destaca Regina. 

Em caso de acidentes, não deve ser passado nada no local, somente água e sabão. Compressas mornas podem auxiliar no controle da dor, até que o acidentado chegue a um atendimento médico. Em Piracicaba, os Pontos Estratégicos são a Santa Casa, UPA Vila Cristina, onde há o soro antiescorpiônico para administração, caso necessário. Crianças até dez anos têm atendimento prioritário. Acima dessa idade, os acidentados devem procurar qualquer unidade de saúde (UBS ou Crab) para avaliação médica e administração de anestésico local na região da picada.