09 de julho de 2026
CONSCIENTIZAÇÃO

Dia da Consciência Negra, feriado em Piracicaba, é marcado com homenagens

Por Ronaldo Castilho | ronaldo.castilho@jpjornal.com.br
| Tempo de leitura: 4 min
Arquivo Diocese de Piracicaba
Missa afro será realizada neste domingo, 20, às 9h00, no Teatro Erotides de Campos

A morte de Zumbi dos Palmares, em 1695 pelos bandeirantes, é lembrada neste domingo, 20, inclusive sendo feriado em Piracicaba desde 2003, através da Lei Municipal 5242/03 sancionada pelo então prefeito José Machado (PT), com diversas atividades e homenagens realizadas pela Câmara de Vereadores, Prefeitura de Piracicaba, Conselho da Comunidade Negra de Piracicaba (Conepir) e o Centro de Documentação Cultura e Política Negra (CDCPN).

O Dia Nacional da Consciência Negra foi instituído em 20 de novembro de 2011, através da Lei 12.519, sendo voltado para reflexão, mas ainda não é um feriado nacional, mas alguns estados e municípios adotaram a data como feriado, como é o caso de Piracicaba.

O termo Consciência Negra ganhou destaque na década de 70, no Brasil, sendo razão da luta dos movimentos sociais que atuavam pela igualdade racial. Além disso, é uma referência e uma homenagem à cultura ancestral do povo de origem africana, que foi escravizado por séculos no Brasil, ou seja, é um símbolo de luta, da resistência e a consciência do que o negro não é inferior, muito pelo contrário, tem o seu valor e principalmente o seu lugar garantido na sociedade.

A presença do negro é marcada na história do Brasil. “O Brasil tem seu corpo na América e sua alma na África” afirmava no final do século XVII o padre jesuíta Antônio Vieira. Essa frase profética que se torna cada vez mais verdadeira. Maior país escravocrata do hemisfério ocidental, o Brasil recebeu aproximadamente 5 milhões de cativos africanos, 40% do total de 12,5 milhões embarcados para a América ao longo de três séculos e meio. Como resultado, o país tem hoje a maior população negra do planeta, com exceção apenas da Nigéria. Em 1888 a princesa Isabel assina a Lei Áurea tornando-se extinta a escravidão no Brasil, mas mesmo assim a escravidão teve um impacto profundo na sociedade, na cultura e no sistema político-econômico que deu origem ao país após a Independência. “Nenhum outro assunto é tão importante e tão definidor da nossa identidade nacional”, relata Laurentino Gomes no primeiro livro da trilogia “Escravidão”.

Piracicaba continua sendo referência estadual e nacional no tema “Consciência Negra” participando ativamente das lutas do movimento negro, principalmente com a forte atuação do Conselho da Comunidade Negra de Piracicaba (Conepir) e o Centro de Documentação Cultura e Política Negra (CDCPN).

Luciano Alves presidente do Conepir, disse que as comemorações do 20 de novembro têm toda uma carga simbólica juntamente com a luta dos ativistas negro. “É uma data de reflexão para todos nós, Zumbi preferiu a morte do que se entregar ou perder a sua liberdade”, disse. Segundo ele o Conepir tem uma forte atuação juntamente com o poder público buscando elevação de políticas públicas sendo um grupo que está na linha de frente em nosso Município. “Atuamos sempre em casos de preconceitos, racismos. A nossa missão é trazer para comunidade negra de Piracicaba e região o desenvolvimento, ou seja, é uma missão de vida”, enfatizou.

Neste ano o Conepir e CDCPN, juntamente com a Câmara de Vereadores e a Prefeitura de Piracicaba estarão realizando dois eventos no Teatro Erotides Campos (Engenho Central). A Pastoral Afro Brasileira Diocesana realizará uma Missa Afro, que será celebrada pelo padre Ademilson Lopes, às 9h00. Logo em seguida, será realizada uma Reunião Solene alusiva a Semana da Consciência Negra, por iniciativa do vereador Acácio Godoy (PP). O evento homenageará pessoas envolvidas com o movimento negro na cidade e entregará a medalha de mérito Zumbi dos Palmares. A reunião solene acontece por meio da resolução 7/1999, conforme os requerimentos 628/2022 e 758/2022, de acordo com a lei municipal que institui a Semana da Consciência Negra. O objetivo da Semana é desenvolver ações educativas sobre o tema, na forma de campanhas, seminários, palestras e outras atividades.

A entrega da medalha de mérito Zumbi dos Palmares, visa homenagear pessoas que se destacaram na luta pelo combate ao racismo e a favor da cultura afro brasileira. No total 14 pessoas serão homenageadas, sendo 8 homens e 6 mulheres, sendo eles: Edna Conceição Felipe Costa, João Batista Mendonça, Maria Magaly Pedro da Silva, Jonathan José de Assis, Marcos Roberto da Cruz, Claudia Parussulo, Daniel Aparecido Ferraz, Luzia Ferreira Moraes Pereira, Carmen Lúcia dos Santos Rodrigues e Wesley Cesar Braga Juiz. Os homenageados com a Medalha Zumbi dos Palmares são: Ângela Aparecida Augusto, Nuno Coelho, João de Campos Júnior e José Marcos Abdala.

No Engenho Central, acontece o 9º Festival Afropira, com diversas atividades. Shows, apresentações, espaços da beleza, oficina, Hip Hop, Capoeira, infantil, griô e religioso. O evento acontece nos dias 19 e 20 de novembro nos períodos da tarde e noite. A programação completa pode ser conferida na página do Afropira no Instagram - @afropira.