10 de julho de 2026
CULTURA

Batuque de Umbigada sofre racismo institucional em Capivari

Por Beto Silva |
| Tempo de leitura: 2 min
Divulgação
Lorena Faria é autora da cartilha 'Criança pode Umbigar? Sim!' que foi suspensa em Capivari

A professora Lorena Faria, do IFSP (Instituto Federal de Educação)  Campus Capivari, vivencia uma situação que pode ser caracterizada como  racismo institucional. Ela é autora de um projeto cultural e educacional aprovado pela Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Estado de São Paulo e pelo IFSP, que entregou gratuitamente à Secretaria de Educação de Capivari 1500 cartilhas educacionais,  para serem usadas nas escolas municipais entre setembro e novembro.

A cartilha “Criança pode Umbigar? Sim!”, foi inspirada na história da Umbigada que está presente na cultura de cidades da  RMP (Região Metropolitana de Piracicaba), como  Capivari e Piracicaba.. Lorena conta que foi firmada uma parceria com a prefeitura de Capivari,  que abraçou o projeto,  fazendo inclusive divulgações a respeito e propondo um projeto de lei aprovado por unanimidade em agosto - a "Semana Anicide Toledo - primeira voz feminina do Batuque",  para embasar ainda mais a presença do  projeto do Batuque nas escolas municipais.

A partir daí houve formação de professores da rede sobre a faixa etária e forma de utilização das cartilhas, com a presença de mais de 100 profissionais,  entre coordenadoras e professores dos ensinos fundamental e infantil.

Tudo ia bem na aplicação do projeto, com a  adesão da prefeitura e das escolas, até que o suplente de vereador  João Flausino (MDB), protocolou requerimento junto à prefeitura da cidade, em 23 de setembro, para retirada do projeto das escolas. O político, que é membro de uma igreja evangélica, pediu o fim do projeto na cidade.

A  prefeitura,  diante do movimento do suplente,  decidiu então suspender as apresentações,  e por consequência a aplicação da cartilha nas escolas. Segundo Lorena, a atitude representa um grande prejuízo para as crianças e uma vulnerabilidade maior para a comunidade batuqueira,  já estigmatizada no município.

Diante da falta de respostas da prefeitura, a professora disse que vai procurar o Conepir   (Conselho Estadual de Promoção da Igualdade Racial) para orientação.