11 de julho de 2026

‘A carreira de atriz voltou até mim após os meus 50 anos de idade’

Por edicao_jp |
| Tempo de leitura: 5 min

Mônica Corazza Stefani, 62, é piracicabana, fotógrafa, empresária e atriz. Formou-se aos 22 anos na renomada escola de teatro Macunaíma, em São Paulo. Mas apenas em 2016, voltou à atuação e fez sua primeira participação em novela na trama Haja Coração, da Rede Globo, quando interpretou a personagem Hilda. Em 2017, participou da série de humor Os Suburbanos, no canal Multishow, na qual foi a personagem Cláudia e, no ano seguinte, deu vida a cafetina Madame Ivete na novela de época Orgulho e Paixão, também na TV Globo.

No curta-metragem Nana, de Gabriela Neves, Mônica interpreta a personagem Madalena. Seu trabalho mais recente é a minissérie Independências, para a TV Cultura, com 16 episódios, que serão exibidos semanalmente até dezembro deste ano, onde participa sendo uma baronesa.

Nesta entrevista ao Persona do JP, Mônica fala sobre a profissão de atriz, a transição de carreira após os 50 anos para realizar a atuação e a atividade artística em geral.

Mônica, de onde surge esse amor pelas artes cênicas?

Meu interesse pela arte começou com o teatro, no antigo Colégio Assunção, em Piracicaba, onde hoje as pessoas conhecem como o “Dom Bosco”, porque lá tinha aulas de encenação. Na infância, acredito que era minha brincadeira favorita. O cinema também era algo que eu gostava muito, ia pelo menos uma vez na semana. Só o que antes era um passatempo, algo para se divertir, foi se tornando aos poucos uma coisa séria. Na minha adolescência, Berenice Danelon deu um curso de Teatro aqui na cidade, na Escola de Música “Maestro Ernest Mahle”, o que meu garantiu a base de formação nessa área. Era um curso muito sério, que me exigia muito também. As vezes na vida, precisamos desse certo estímulo. Antigamente, tínhamos que esperar certos temas chegarem à Piracicaba, para termos o contato. Hoje em dia, não é mais assim. Mesmo Piracicaba sendo pequena, eu conseguia ficar atualizada sobre o cenário da classe artística, ou eu procurava, ou as informações parece que encontravam comigo, pelo caminho.

E quando terminou a escola? Você também foi atrás de trabalhar com teatro ou não necessariamente?

Eu sou formada em comunicação visual pela Universidade Mackenzie, em São Paulo (Capital), onde comecei a carreira na fotografia. Paralelo a isso, comecei os cursos de teatro, profissionalizantes, como o Macunaíma. Como conciliava as atividades, saia de casa 7h e retornava apenas às 23h, mas não havia problema, porque eu amava.

Após a faculdade você morou fora do Brasil. Como isso aconteceu?

Essa paixão que tenho por pessoas, por culturas, me motivou a buscar trabalhos fora do País. Fui fotógrafa na Alemanha e também na Itália, fiquei quase cinco anos na Europa, onde também realizei cursos de mímica, por exemplo. Esse tempo que fiquei fora, me afastou da carreira artística brasileira e me levou a outro rumo. Conheci meu marido no exterior e comecei a trabalhar com turismo, em busca de uma rotina mais estável. Voltei a Piracicaba com ele e foi uma alegria poder compartilhar a experiência e aprendizado que tive, com as pessoas daqui.

A agência de turismo surgiu por conta de sua paixão pelas viagens e em razão dessas experiências? O que é viajar pra você?

A empresa foi consequência da experiência de 10 anos em outras agências. Viajar pra mim é uma meta de vida. Significa conhecer novas culturas, novos povos, lugares diferentes, outros modos de vida e outras produções artísticas. É como expandir a alma, se conhecer melhor. Eu não tenho um lugar do mundo que me emocionou. O mundo me emociona, sua variedade e complexidade.

Conte para nós como foi essa transição de carreira, sendo uma mulher com mais de 50 anos? O que te motivou a deixar de lado a fotografia para se dedicar integralmente ao ofício de atuar?

Depois de passar boa parte da minha vida dedicada à fotografia (uma das minhas paixões), à administração da minha agência de turismo (Geográfica), comecei a dar uma ‘fuçada’ nas novidades do mercado, fazer cursos mesmo, de diversos assuntos. Queria me atualizar, mas não tinha intenção em fazer nada específico. Me matriculei então, em um workshop que a Faap (Fundação Armando Álvares Penteado) estava promovendo, focado no mundo corporativo. Tivemos que preparar uma apresentação e, naquele momento, a ‘atriz’ dentro de mim aflorou, veio com força. Fui, então, em busca de uma preparadora de elenco, a Paloma Riani, no Rio de Janeiro. Depois fui fazer workshop com Luciano Sabino, com Telma Guedes (autora)… Aí você começa a se relacionar com as pessoas, começa a trocar informações, fortalece sua rede de contatos, no meu caso, tive o privilégio de conhecer e conviver com Fred Mayrink e Eduardo Tolentino. Em 2017, comecei a fazer aula de voz, trabalho de corpo. Sinto me conectar com aquilo que realmente faz sentido, aquilo que me interessa.

Você fazia curso de TV com Fred Mayrink quando chamou a atenção dele. Frequentava as aulas sem ambição de se tornar profissional?

Sim, meu intuito era estudar, mas tinha curiosidade também de conhecer as técnicas de TV, uma vez que me formei em teatro e as linguagens são muito diversas. Ele gostou do meu trabalho e assim surgiram as oportunidades e trabalhos.

Podemos, então, dizer que a carreira de atriz para você surgiu sem que planejasse?

Eu me formei aos 22 anos em uma escola de teatro renomada na cidade de São Paulo. À TV passei a me dedicar há pouco menos de uma década, quando decidi por voltar a estudar teatro. Mas, a princípio, não tinha outros planos senão o de voltar a estudar. As coisas vêm acontecendo naturalmente, como resultado de um processo. Nunca deixem de fazer o que os faz bem.

Laís Seguin
lais.seguin@jpjornal.com.br

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