11 de julho de 2026

“Igreja Católica não faz indicação de candidatos”, diz Bispo Diocesano de Piracicaba

Por Laís Seguin |
| Tempo de leitura: 2 min

Há exatos 15 dias das eleições, o clima de polarização segue cristalizado no Brasil. Mesmo tendo sido formulada meses atrás, a Cartilha de Orientação Política 2022 da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) previu a necessidade de se tocar em temas como “diálogo”, “ameaças à democracia”, “fake news” e “candidatos são adversários e não inimigos”.

O bispo diocesano de Piracicaba, Dom Devair Araújo da Fonseca, falou com o JP sobre os principais pontos do documento e defendeu: “penso que deveríamos olhar, além das características e valores pessoais, para as propostas de cada candidato”. Leia abaixo a entrevista:

Em linhas gerais, quais os principais pontos da cartilha?

O conteúdo central da cartilha está dividido em três partes. Elas apresentam, em linhas gerais, a posição da Igreja Católica em relação à política, as informações relevantes e específicas sobre as eleições de 2022 e, por último, faz uma defesa da política em favor da vida integral, abrangente a tudo e a todos, aos jovens, aos pobres, ao meio ambiente. Mas a cartilha também parte da premissa de que a missão evangelizadora da Igreja inclui uma conscientização política dos cidadãos, não no altar, que é onde exercemos nossa fé em Cristo, mas no testemunho da vida cotidiana e onde devemos trabalhar, servir e votar pelo bem comum, como cristãos.

Qual o papel da igreja católica em relação à política?

A Igreja Católica não faz indicação de candidatos, mas sua posição oficial é a de ajudar a formar a consciência das pessoas para que possam escolher bem seus representantes. No que diz respeito aos períodos de eleições, a Diocese de Piracicaba respeita a Legislação Eleitoral e, principalmente, guia-se pelo Evangelho e pela Doutrina Social da Igreja Católica Apostólica Romana, válida para o mundo todo. Sendo assim, independentemente do período, sua atuação não deverá ter caráter partidário de qualquer coloração, mas, por meio da formação e da conscientização, buscará sempre oferecer uma contribuição para o bem comum, a justiça e a solidariedade.

Em um trecho da cartilha, é citado “responsabilidade cristã” ao escolher um candidato. Explique isso.

É justamente a busca e a defesa do bem comum e da vida integral. As virtudes, valores e condutas que a fé cristã nos exige também devem ser critérios essenciais tanto para a escolha de um candidato quanto para a nossa vida cotidiana em sociedade. O que aprendemos e vivenciamos na Igreja deve ser levado para a vida social. Não como proselitismo, mas como testemunho de vida e prática diária, nossa e dos nossos representantes.

Nani Camargo
Especial para o JP

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