10 de julho de 2026

A menos de 30 dias das eleições no País, urnas eletrônicas ainda dividem eleitor: ‘são confiáveis?’

Por Laís Seguin |
| Tempo de leitura: 5 min

Jornal de Piracicaba ouviu empresa especializada em segurança de sistemas sobre possibilidade de fraudes

A menos de 30 dias das eleições, o tema urna eletrônica ainda rende debate. Por mais que a Justiça Eleitoral garanta a lisura do processo de votação, há quem desconfie. “Eu não acredito que sejam 100 por cento confiáveis. É um equipamento utilizado para coletar o voto, mas não sai seu voto impresso. Não são ligadas a rede, não tem fio. Então, é o TSE que tem esse controle. O poder das urnas está nas mãos dos TSE. Não são seguras”, opina a jornalista Daniele Fernanda Ribeiro. Já Ligia Gorga, segurança, diz confiar totalmente no sistema eleitoral brasileiro. “As urnas são seguras, já fui mesária e acho totalmente confiáveis”.

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) criou uma página dentro do seu próprio site só para tirar dúvidas sobre os equipamentos. “A Justiça Eleitoral utiliza o que há de mais moderno em termos de segurança da informação. A urna tem mais de 30 barreiras digitais a serem vendidas para se efetuar qualquer alteração. Esses mecanismos são postos à prova durante dos Testes Públicos de Segurança (TPS). Foi projetada para funcionar sem estar conectada a qualquer dispositivo de rede, seja por cabo, wi-fi ou blueotooth. Ou seja, a urna é um equipamento isolado, o que preserva um dos requisitos básicos de segurança do sistema”, aponta o Tribunal.

O Jornal de Piracicaba consultou uma empresa especializada em segurança de sistemas. Ivan Penatti, diretor da Triade Tecnologia, falou sobre a possibilidade de se fraudar uma urna eletrônica. “Do ponto de vista dos mesários e eleitores, seria muito difícil disso acontecer devido à limitação física dos equipamentos. Do lado do mesário, temos apenas o teclado numérico para liberação dos CPFs, e do lado do eleitor, outro teclado simples para realizar o voto. Uma possibilidade de fraude só poderia acontecer caso a pessoa tivesse acesso interno a esses equipamentos, mas, neste caso, a violação do equipamento seria de fácil identificação”, explica. Sobre ser segura ou não, ele respondeu: “ela dispõe de entrada USB para realização da cópia dos votos e envio ao TSE, mas este processo só é possível por meio de um flash card, um tipo de pen drive especifico e registrado pelo TSE, um pen drive simples, desses que costumamos usar em nosso dia a dia não funcionaria se conectássemos a urna”.

E sobre o fato de os equipamentos não estarem em rede, o que pode acontecer depois, quando o voto de cada urna é remetido para o sistema geral para computar os dados? “Ao término da votação, o resultado gravado neste pen drive especial e é enviado digitalmente para os servidores do TSE aos mais de 440 pontos de transmissão espalhados pelo Brasil. Podemos imaginar que esses arquivos poderiam ser trocados ou alterados afim de prevalecer um ou outro candidato, mas mesmo que isso ocorresse, seria possível confrontar os votos originais ainda gravados na urna com o arquivo ‘fraudado’ que foi enviado, caso seja confirmado a diferença, a fraude seria identificada e poderia ser corrigida”, explicou Penatti.

Três juízes eleitorais são taxativos: ‘as urnas são seguras’

Os eleitores de Piracicaba terão, no dia 2 de outubro, 888 urnas distribuídas nos pontos de votação. O Jornal de Piracicaba falou com os três juízes eleitorais da cidade sobre as urnas de votação e as eleições de forma geral. De acordo com Marcos Douglas Veloso Balbino da Silva, da 93ª Zona Eleitoral, os equipamentos são totalmente seguros. “Sim, as urnas são seguras, mas elas são apenas parte do processo. E esse processo é revestido de auditorias constantes em todas as fases, o que o torna extremamente seguro. A fiscalização e auditoria asseguram a todos os interessados acesso, inclusive antecipado, nos programas desenvolvidos. Os partidos políticos, a OAB, o Ministério Público e outras instituições podem desenvolver programas para verificação de autenticidade dos sistemas. O próprio eleitor, os candidatos e a imprensa participam da auditoria realizada após a inserção dos dados nas umas”, explicou. Na Zona Eleitoral 93, são 305 urnas disponíveis.

Já Luiz Antonio Cunha - magistrado da Zona Eleitoral 270, que conta com 445 urnas-, tem o mesmo posicionamento do Tribunal Superior Eleitoral e o Tribunal Regional Eleitoral. “São seguras, acabaram de passar por testes pelas principais universidades do Brasil (USP, Unicamp, UFPE) e ficou demonstrado que, além da tecnologia de alto nível, seu sistema apresentou sem defeitos. A urna funciona captando o voto e depois é levado o sistema que captou para o cartório eleitoral e é remetido para os Tribunais Eleitorais, tudo no que tem de mais tecnológico em sigilo”.

Além dos 888 equipamentos distribuídos em escola e demais pontos de votação de Piracicaba, há ainda as chamadas urnas de contingência. “Na zona eleitoral 270, a qual sou o juiz, temos o total de 508, mas só 445 serão usadas. Normalmente tem 10% de contingência, o que dá, aproximadamente, um total de 980 urnas para as três zonas eleitorais de Piracicaba”, explicou.
Por fim, na mesma linha, o juiz da 244 Zona Eleitoral, Lourenço Carmelo Torres tranquilizou os eleitores. “Não há com que os eleitores se preocuparem a respeito, pois as urnas eletrônicas já estão sendo utilizadas desde várias eleições anteriores, desde 1996, e sem nenhuma comprovação, até os dias de hoje, acerca de eventual quebra do sigilo do voto ou acesso indevido de terceiros ao seu sistema interno, logrando a adulteração dos votos nela depositados”, disse ao JP.

O juiz avalia que as urnas eletrônicas devem ser “motivo de orgulho aos brasileiros pelo exemplo de segurança, eficiência, rapidez na captação e apuração de votos e transparência, contribuindo para a ocorrência de um modelo de eleições que serve de espelho para o mundo”.

Nani Camargo
Especial para o JP

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