08 de julho de 2026

JP apresenta espaços da Empem e forma de preservação

Por Laís Seguin |
| Tempo de leitura: 3 min

Carta aberta foi feita ao Codepac para unir força para tombamento do prédio

Dentro da campanha para que o prédio da Empem (Escola de Música “Maestro Ernst Mahle”) seja tombado pelo Codepac e das novas adesões adquiridas sobre o reconhecimento da importância cultural do espaço, o Jornal de Piracicaba também apresenta o que a Escola preserva e traz a arquiteta e urbanista Sofia Rontani, para esclarecer metodologias e técnicas utilizadas na preservação de um patrimônio histórico e cultural.

Com salas conhecidas por todo o País e por sua acústica impecável, na sala Dr. Mahle tem a capacidade de abrigar 300 lugares (230 no térreo e 70 no mezanino). É um espaço concentrado para a realização de concertos, apresentações, orquestras, canto coral, peças teatrais, formaturas, palestras e seminários. No hall de entrada no andar térreo, há cadeira elevatório para acesso ao mezanino – espaço que dispõe dois pianos, cravo e um órgão de tubo.

Na sala Cecília há um palco giratório que disponibiliza o público possa assistir as apresentações tanto do lado interno quanto externo. O espaço utiliza a concha acústica como sala fechada ou teatro de arena, no qual há acesso ao jardim na Escola. Comporta 160 lugares.

A Empem também realizou de forma ininterrupta o Concurso Jovens Instrumentistas a cada dois anos desde 1971 a 2003 para os variados tipos de instrumentos. Cidinha Mahle, fundadora e musicista da instituição, relembra que já se passaram grandes personalidades em sua banda, como Osvaldo Lacerda, Renzo Massarani, Luiz Carlos, Bridget Moura Castro e vários outros dos Estados Unidos e da Europa.

Segundo Cidinha Mahle, fundadora da Escola, no concurso se destacaram músicos que levaram a carreira para o exterior, como o violoncelista Antonio Meneses e o pianista Roberto Szidon.

O engenheiro Civil e arquiteto Walter Naime, responsável pela construção do prédio, deixou uma mensagem para o JP, bem na véspera de uma cirurgia cardíaca. “Estou de acordo com a iniciativa, não corajosa, mas heroica. Eu apoio a ação de defesa para que o nosso amigo Ernst Mahle, sua esposa Cidinha e toda a equipe sonora e artista de Piracicaba possa estar junto nessa campanha de defesa. Eu acho que essa ação merece todo respeito e grandeza em uma cidade que tem toda uma tradição de nossa Escola de Música. Eu como autor dessa obra, procuro fazer toda a defesa que for necessária. O meu amor pela causa é pleno”, comentou ele.

Engenheiro e arquiteto Walter Naime, responsável pela construção do prédio. Foto: Arquivo/JP

PRESERVAÇÃO
O JP conversou com a arquiteta e urbanista Sofia Rontani para conhecer mais os processos de construção e reestruturação de um patrimônio histórico e cultural. Ela conta que para trabalhar com preservação e restauro de um patrimônio histórico e ou arquitetônico, é necessário entender qual contexto ele está inserido: local (urbano), histórico, paisagem urbana estabelecida, as edificações pré-existentes, atrelando todas essas informações à memória e história de um local, determinado grupo de pessoas, e até de uma comunidade inteira, para manter e passar para as próximas gerações valores culturais desses grupos.

“Importante sempre frisar o respeito ao Bem, obedecendo o princípio da mínima intervenção e a autenticidade dos processos construtivos e utilizar materiais compatíveis com as técnicas existentes”, comenta ela.

Fernanda Rizzi
fernanda.rizzi@jpjornal.com.br

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