Trinta músicos se apresentaram e cerca de 50 pessoas acompanharam o ato
Trinta músicos realizaram um concerto na calçada da rua em frente à Empem (Escola de Música "Maestro Ernst Mahle"), no Centro de Piracicaba, neste sábado (27), para protestar contra a possível venda do prédio da instituição. O imóvel foi incluído na lista de bens que podem ser vendidos para o pagamento de credores em um plano de recuperação judicial apresentado pela rede metodista, que também inclui a Unimep (Universidade Metodista de Piracicaba). Um abaixo-assinado criado na internet contra a venda do imóvel já reúne mais de 5 mil assinaturas.
Em descrição, o abaixo assinado afirma que “A Escola de Música de Piracicaba ‘Maestro Ernst Mahle’ é um patrimônio cultural nacional, cuja história se aproxima de seus 70 anos. Este movimento é um gesto de repúdio à intenção de venda do imóvel da Escola pela Rede Metodista de Ensino para saldar suas dívidas com inúmeros credores em todo o país, com a esperança de poder impedi-lo”.
A ESCOLA DE MÚSICA
Criada em 1953, desde seu surgimento a Escola de Música de Piracicaba se tornou centro formador na área musical, tendo como seu primeiro incentivador o compositor Hans Joachim Koellreutter, que fundara em São Paulo a escola Pró-Arte. A iniciativa de ter também no interior, especificamente em Piracicaba, uma alternativa de ensino da música se viabilizou pela decisão e esforços de Maria Apparecida e Ernst Mahle, que haviam sido alunos de Koellreuttter. Ao casal, se aliaram muitas outras figuras já ligadas a um movimento cultural forte existente em Piracicaba à metade do século passado.
Ao longo dos anos formaram-se outras orquestras, coros, conjuntos musicais que passaram a oferecer concertos periódicos nas instalações da Escola, conhecida também pela variedade e riqueza de instrumentos que foi acumulando ao longo dos anos, alguns deles raramente disponíveis no interior.
O espaço foi se tornando referência para o país, sediando concursos nacionais como o de jovens instrumentistas, com bancas julgadoras que reuniam músicos do Brasil e do exterior. Os concertos aos finais de semana faziam uma agenda contínua de cultura para a cidade, trazendo inclusive músicos estrangeiros para ali se apresentar.
Ao longo dos anos, muitos talentos de origem da cidade foram beneficiados por bolsas de estudos. Centenas de alunos foram ali formados profissionalmente, espalhando-se depois em orquestras de reconhecida importância para o país e no exterior.
Em 1998, o casal Mahle, buscando garantir a continuidade de seu trabalho, e considerando os compromissos que a Unimep detinha à época com projetos culturais e investimentos efetivos nesta área, transferiu a Escola de Música para o Instituto Educacional Piracicabano, mantenedor da Universidade. “A possibilidade de venda do prédio atual, apresentado à Justiça como alternativa para pagamento de dívidas tributárias da rede de escolas metodistas, foi o ponto de partida para um protesto amplo em defesa da história e do compromisso com a música em Piracicaba e no Brasil”, reforça o “Salvem a Empem”.
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