09 de julho de 2026

Mãe de autistas cria projeto de troca de informações sobre o TEA

Por edicao_jp |
| Tempo de leitura: 2 min

Edlaine Lima compartilha experiências com outras mães em grupo

Um dos desafios que as crianças diagnosticadas dentro do TEA (Transtorno do Espectro Autista) e suas famílias precisam enfrentar é o preconceito e a desinformação. Depois da descoberta dessa condição, não é raro que mães e pais se sintam solitários – em meio à sobrecarga emocional – enquanto lutam para entender o diagnóstico e oferecer aos seus filhos o melhor apoio possível. Com Edlaine Morais Lima, a situação não foi diferente: em entrevista ao Jornal de Piracicaba, ela falou sobre as diversas situações de preconceito que enfrenta ao lado dos seus dois filhos autistas.

“As outras mães costumam afastar os filhos delas dos meus, tratam como se fosse uma doença transmissível. Há ainda a situação de pessoas chegam até mim e perguntam: ‘seu filho é assim?’ E depois complementam com a frase: ‘meu Deus, que tragédia para você’. Falam dos meus meninos como se eles fossem uns coitados, mas não são”, desabafou.

Edlaine também se compadeceu com a história de uma mãe cujo filho estudava na mesma escola que o dela. “Eu a vi chorar e quando a abordei, ela me contou que a criança, de 5 anos, havia sido barrada de entrar na sala de aula por ainda fazer uso de fraldas. Cheguei a abordar a professora”, relembra.

Foi então que ela decidiu criar há 8 meses, um grupo de WhatsApp, que utiliza como rede de apoio para mães e pais de crianças autistas. Por meio de mensagens em texto e áudio, dialogam, trocam experiências e acolhem uns aos outros.

“Oferecemos também informações sobre onde encontrar atendimentos médicos e serviços, acompanhamento com psicóloga, fonoaudióloga, e por aí vai”, contou Edlaine. Atualmente, o grupo conta com 46 participantes.

“Ninguém está preparado para ter um filho autista, então o grupo surge como um apoio. Nós, pais, não sabemos o que está por vir quando recebemos o diagnóstico e criamos um espaço onde podemos tirar dúvidas e aconselhar quando um filho entra em crise”, Edlaine reforça.

O preconceito gerado pelo desconhecimento sobre o transtorno continua, mas o caminho de conscientização avança em ações como a de Edilaine. “É muito importante que as mães e pais de autistas não tenham medo, nem vergonha de falar sobre o diagnóstico de seus filhos, porque não há motivo. Autismo não é doença, é apenas uma forma diferente de ver o mundo”, assegura.

“É necessário que haja conscientização nas escolas sobre o autismo, inserção do símbolo do autismo em todas as filas de prioridade, conscientização nas empresas, formação para professores da rede pública e privada sobre autismo e investimentos em neuropediatras, fonoaudiologia, psicologia e terapeuta ocupacional pelo SUS”, pediu a mãe.

Mães e pais de autistas que tenham interesse em fazer parte do grupo podem entrar em contato com Edlaine pelo telefone (19) 99108-4119

Laís Seguin
lais.seguin@jpjornal.com.br

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