Atualmente, 95% da água captada para abastecimento de Piracicaba vem do Rio Corumbataí
Em tempos de seca, muito se discute sobre ações voltadas à preservação dos nossos recursos naturais. A água, por exemplo, é escassa em muitos países e o Brasil, nessa área, é olhado pelo mundo todo por sua abundância. Porém, a cada ano, esse recurso diminui. As secas estão cada vez mais severas. “As Bacias Hidrográficas dos Rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí estão em uma região de baixa disponibilidade hídrica e essa situação vem se agravando nos últimos anos em razão dos baixos índices pluviométricos, principalmente no período seco do ano. Em 2022, as vazões nos rios estão menores que em anos anteriores”, explica o coordenador de projetos do Consórcio PCJ, José Cezar Saad.
A questão do abastecimento vai além do depender das chuvas e as políticas públicas voltadas ao setor. O cidadão, hoje, tem obrigação cívica de economizar água. Os números, porém, não são animadores. Segundo Saad, o consumo de água indicado como necessário para uma pessoa é de 100 a 120 litros por dia. “Em Piracicaba, segundo dados do relatório do Plano de Recursos Hídricos das Bacias PCJ 2020-2035, esse consumo é de 189,6 litros por habitante”, diz o especialista. Ou seja, pelo menos 56% a mais do que o recomendado.
Atualmente, 95% da água captada para abastecimento de Piracicaba vem do Rio Corumbataí, o restante, 5%, do Rio Piracicaba – que está com pedras aparentes devido à seca. De acordo com Saad, os níveis desses rios estão baixos. “No mês de julho/2022, a vazão média no Rio Piracicaba foi de 18,67 m3/s, quando a vazão média histórica é de 61,88 m3/s. Já em agosto de 2022, a vazão média está em 23,68 m3/s, enquanto a vazão média histórica é de 51,29 m3/s. No Rio Corumbataí, a vazão média deste mês está em 2,87 m3/s, enquanto a média histórica é de 3,82m3/s”.
VILÕES DO CONSUMO
Os vilões do consumo humano de água são os banhos muito prolongados, lavar calçadas e veículos com mangueiras e lavar louças com a torneira aberta. “Por outro lado, temos um outro grande vilão que é o vazamento nas redes de distribuição, que em alguns municípios chega a mais de 40% da água tratada”, declara Saad.
Como o poder público pode resolver o problema de falta de água? O especialista responde. “Os gestores públicos precisam se conscientizar da necessidade de investimentos no setor de saneamento, o combate às perdas de água na distribuição pode gerar uma grande economia financeira e, principalmente, melhorar a disponibilidade hídrica. A construção de represas municipais que tenham capacidade de reservar água bruta para atender a demanda nos períodos de estiagem é outra forma de minimizar os efeitos da estiagem”, diz José Cezar Saad.
Nani Camargo
Especial para o JP
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