10 de julho de 2026

Funcionários não mediram esforços para evolução da Câmara Municipal

Por Laís Seguin |
| Tempo de leitura: 5 min

O piracicabano Rubens Vitti, 88 anos, é funcionário público aposentado com atuação na Câmara Municipal de Piracicaba por mais de 30 anos. Ele nasceu no dia 20 de julho, filho do casal Luis e Justina Gobeth Vitti. Vitti é casado com a dona de casa Herminia Zani e pai da designer de moda Márcia Cristina Vitti e do jornalista Rubens Vitti Jr., o Rubinho. Além de funcionário público, Vitti foi professor de português e de geografia em cursos de admissão e de latim no Seminário Diocesano. Nas horas vagas, ele se dedica à pesquisa de história, ler os jornais da cidade, assiste jogos do Palmeiras e a programas esportivos, além de cuidar dos gatos.

Nesta semana, Vitti foi homenageado pela Casa de Leis, onde atuou e se aposentou como diretor. A homenagem a ele e a outros ex-servidores esteve na programação do bicentenário do Legislativo Municipal e deixou o homenageado feliz com o reconhecimento. “Quero agradecer ao presidente Gilmar Rotta pela iniciativa de homenagear os ex-funcionário da Câmara”, destacou.

Nesta entrevista ao Persona do JP, Vitti conta como era a rotina de trabalho da Câmara Municipal há três décadas, quando a tecnologia não existia como atualmente e o número de funcionários se resumia a três.

O senhor e outros ex-servidores da Câmara Municipal de Piracicaba foram homenageados em razão do bicentenário da Casa comemorado neste mês. O que essa homenagem representa para o senhor?

Creio que foi uma justa homenagem aos ex-funcionários, pois representa o reconhecimento por parte da Câmara ao trabalho desses servidores aposentados que enfrentaram uma fase bem difícil no início de tudo. Alguns trabalharam quando a Câmara ainda funcionava no prédio antigo. Tratava-se de um lugar com instalações muito precárias e que não dispunha de instrumentos de trabalhos adequados, como máquinas de escrever bem antigas. Foi um período que exigiu muito empenho dos funcionários. Em 1975, a Câmara mudou-se para um novo local. Mas, mesmo após essa mudança, o novo prédio ainda não dispunha de equipamentos completos. Portanto, os funcionários que entraram a partir de 1975 também mereciam essa homenagem, pois todos, desde sempre, não mediram esforços para que a Casa evoluísse até onde está hoje.

Quantos anos o senhor atuou no Legislativo Piracicabano e quais funções desempenhou?

Iniciei meus trabalhos em 1959, me aposentei em 1987, porém trabalhei até 1990, ou seja, 31 anos. Primeiramente, meu cargo foi oficial de secretaria e chefe de divisão de fichário e arquivo. Em 1977, fui nomeado diretor da Câmara, função que exerci até minha aposentadoria. Como oficial de secretaria eu fazia de tudo, pois só havia três funcionários na época. Era responsável pelo encaminhamento de correspondências para os vereadores, exercício que eu fazia de bicicleta até a casa de todos eles. Também comunicava por escrito a programação das reuniões semanais, organizava todos os projetos que chegaram na Casa, registrando tudo em livros, fichas e depois os arquivando. Em 1977, fui nomeado diretor, porém continuava desempenhando o mesmo trabalho de antes, além de me encarregar pelo bom funcionamento da câmara. Estava sempre presente nas sessões da Câmara, mesmo que terminassem tarde da noite. Minha ligação com o presidente o deixava à vontade para me delegar diversas tarefas de confiança.

Como era o trabalho na Câmara Municipal em sua época de servidor? Quais eram as principais demandas?

O trabalho na Câmara consistia essencialmente em dar andamento aos projetos de lei e outras proposituras dos vereadores ou do Executivo até a decisão final. Como na época não existiam cargos de assessores de vereadores, cabia aos funcionários exercer essa função dando total apoio aos parlamentares. Geralmente às segundas-feiras, a Câmara realizava as suas sessões ordinárias. Era dever da secretaria organizar a “ordem do dia”, isto é, o organograma das matérias a serem discutidas nestas reuniões e distribuir copias aos vereadores com antecedência de no mínimo três dias.

A sociedade da época tinha o hábito de acompanhar as reuniões ordinárias?

Normalmente, o comparecimento de pessoas às reuniões ordinárias da Câmara não era muito frequentes, exceto quando constasse na ordem dos trabalhos algum projeto importante de interesse público ou particular.

Em um tempo sem tecnologia, como o trabalho do Legislativo chega às pessoas e a quem cabia esse papel de difundir as informações da Casa?

Em um tempo sem tecnologia o trabalho chegava até às pessoas geralmente por meio da imprensa: jornais e rádio. Para tanto, um repórter sempre acompanhava os trabalhos na Câmara, principalmente nos dias de reuniões.

Como diretor da Câmara Municipal, qual era sua função?

Minha função era essencialmente cuidar para que todos os departamentos funcionassem bem e em harmonia. E sempre considerei importante manter a unidade com a presidência da Câmara para que tudo se desenvolvesse da melhor maneira possível. Não posso dizer que os vereadores da época davam muito trabalho, porém havia aqueles que eram mais exigentes, outros que buscavam orientação, outros que não tinham nenhuma experiência e, como eles não tinham assessores, muitas vezes era necessário que eu desempenhasse esse papel.

Atualmente, são 23 parlamentares e dezenas de assessores, tanto nos departamentos da Casa como nos gabinetes dos vereadores. O senhor consegue traçar um comparativo em termos de produção e de representatividade da sociedade entre a atualidade e o que o senhor vivenciou como servidor?

A estrutura atual da Câmara e todos os recursos tecnológicos que ela dispõe, claramente favorecem o trabalho dos vereadores. Mas não posso dizer que a produtividade das legislaturas passadas fossem menos produtivas. Quanto a representatividade dos vereadores, hoje eles têm mais contato com a sociedade devido as tecnologias de comunicação.

Beto Silva
beto.silva@jpjornal.com.br

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