Maria Meyer, produtora e atriz, conta sobre o último trabalho dirigido por Jô Soares
Na última sexta-feira (5) o Brasil se entristeceu com a perda do humorista e apresentador Jô Soares, que morreu aos 84 anos. O artista estava internado desde o dia 28 de julho para tratar uma pneumonia, embora a causa específica da morte não tenha sido revelada. Além de uma figura importante das televisões brasileiras, Jô Soares também era escritor, dramaturgo, diretor teatral, ator e músico brasileiro.
O humorista estava dirigindo a peça teatral “Gaslight - uma relação tóxica”, último trabalho deixado por ele. Em sua homenagem, toda a equipe dará continuidade e sua estreia será em São Paulo, no dia 9 de setembro, no Teatro Procópio Ferreira.
A peça conta com a produção executiva de uma piracicabana: a produtora e atriz Maria Meyer. Ao conversar com o Jornal de Piracicaba, ela contou que os ensaios começaram há pouco tempo e que a equipe decidiu não interromper o processo da peça para respeitar o desejo de Jô. “Vamos estrear como ele queria e dar vida a última peça dele. Não vamos parar, vamos fazer isso por ele! A peça será incrível, não percam a oportunidade de assistir o último trabalho que ele deixou”, relata Meyer.
A produtora relata que não teve a oportunidade de conhecer o trabalho de Jô mais de perto, no qual era um sonho seu como atriz e produtora. Ela afirma que com toda a certeza teria sido uma experiência incrível trabalhar ao lado dele e, sem dúvidas, seria como uma escola. “Tudo o que eu mais queria era poder dizer que sim e contar algo que aprendi com ele, mas não posso. Não tive tempo de criar essas memórias. Nos despedimos de um ícone brasileiro. Que sem dúvidas fará falta. Obrigada por tanto e por tudo! Para sempre ‘beijo do gordo’. Para sempre, Jô!”, diz emocionada.
“Jô Soares foi muitos, vários personagens, mas era único! Amado por todos! Um gênio que soube traduzir o Brasil em seus personagens cômicos e que divertia instruindo”, comenta Maria sobre o artista ser uma referência para a sua carreira. “Quem nunca na aérea artística sonhou em trabalhar com o Jô? Quando pude compor o time que daria vida a essa peça, fiquei muito honrada em estar ao lado dele. Eu sabia que iria aprender muito, como profissional e como pessoa. O Jô pra mim representa a arte. E a arte para mim representa a vida”, completa ela.
A PEÇA
“Gaslight - uma relação tóxica” é uma peça escrita pelo inglês Patrick Hamilton, que estreou em Londres, em 1939, e na Broadway, em 1944, onde alcançou a impressionante marca de 1.295 apresentações. A adaptação de George Cukor para o cinema foi admirada pelos críticos e celebrada pelo público, se tornando a mais popular e premiada da carreira do diretor. Foram sete indicações ao Oscar, ganhou em melhor direção de arte e melhor atriz Ingrid Bergmam, que foi agraciada também pelo Globo de Ouro na mesma categoria.
A História de Patrick Hamilton contada por George Cukor superou os limites das telas e criou um novo termo estudado pela psicologia: “Gaslighting”. O termo lançado na década de 1940 foi ganhando força através dos anos e atualmente faz parte do vocabulário de pessoas atentas aos abusos que mulheres do mundo todo sofrem diariamente.
A ficha técnica é composta com a tradução e adaptação de Jô Soares e Matinas Suzuki Jr.; direção de Jô Soares e Maurício Guilherme; direção de produção de Priscila Prade e Giovani Tozi; produção executiva de Maria Meyer, figurino de Fábio Namatame; cenografia de Marco Lima; Designer de luz de César Pivetti; trilha sonora de Ricardo Severo; fotografia de Priscila Prade; assistente de direção: Giovanna Donadio, idealização de Giovani Tozi. Compõe o elenco, as atores: Erica Montanheiro, Giovani Tozi, Kéfera Buchmann, Leandro Lima e Neusa Maria Faro. A peça conta com a assessoria de imprensa com Fernanda Teixeira – Arte Plural e realização de Brica Braque Produções e Tozi Produções.
Fernanda Rizzi
fernanda.rizzi@jpjornal.com.br
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