Fome e insegurança alimentar está cada vez mais frequente na vida dos brasileiros; casos aumentaram depois da pandemia
“Um lanchinho não sustenta o dia inteiro. Já fiquei sem comer por quatro dias”, relata a moradora em situação de rua, Silvana Molaia, de 57 anos. Apaixonada por artesanato, a moradora conta que ficou dias apenas bebendo água. Hoje, para ela, as portas se encontram fechadas: não consegue emprego, o local em que trabalhava como artesã não a aceita mais por falta de confiança. Essa condição resulta em dois fatores: não ter os seus direitos básicos, como uma moradia e alimentação.
Na rua há cinco anos, Elaine Aparecida, de 51 anos, conta que a comida depende totalmente de doações e do Centro Pop (Centro de Referência Especializado para População em Situação de Rua), serviço de responsabilidade da Smads (Secretária Municipal de Assistência e Desenvolvimento Social).
A insegurança alimentar é mais comum no cotidiano dos brasileiros do que imaginamos. Atualmente, não apenas as pessoas de ruas que sofrem com esta questão. Após a pandemia e o aumento da inflação dos alimentos, muitas famílias se enxergaram afetadas. Segundo a campanha “Olhe Para a Fome 2022”, realizada pela Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional, existem três tipos de insegurança alimentar: a leve – incerteza quanto ao acesso a alimentos em um futuro próximo e/ou quando a qualidade da alimentação já está comprometida; moderada – quantidade insuficiente de alimentos e a grave – privação no consumo de alimentos e fome.
Além disso, a pesquisa aponta resultados preocupantes: em 2020, 19,1 milhões de pessoas conviviam com a fome. Já em 2022, este número aumentou para 33,1 milhões de pessoas. Em Piracicaba, atualmente, há 342 cadastros de pessoas em situação de rua no Cadastro Único – conjunto de informações sobre as famílias brasileiras em situação de pobreza e extrema pobreza. Desses, 336 recebem o auxílio Brasil no valor de R$ 400.
Mas nem sempre o auxílio é o suficiente. Conforme a pesquisa “Olhe Para a Fome”, com uma renda menor que um salário mínimo, a fome ainda atinge 32,7% das famílias brasileiras que recebem o benefício.
Por outro lado, em residências com apenas um morador aposentado pelo INSS há uma maior segurança alimentar, caso ao contrário, em moradias onde não há, a fome é mais frequente e, em alguns casos, pode levar os cidadãos à rua.
O morador em situação de rua, Fernando Avárem, de 60 anos, está passando uma questão semelhante. Ele contou que está nas ruas há cerca de cinco dias, pois não tem mais condições de trabalhar por ter problema na perna. “Estou sem serviço e não consegui me aposentar. Todos os meus documentos foram bloqueados, se tornou uma situação impossível”, relata ele.
Fernanda Rizzi
fernanda.rizzi@jpjornal.com.br
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