10 de julho de 2026

Piracicaba avança, mas registra baixo índice de vegetação nativa

Por Laís Seguin |
| Tempo de leitura: 3 min

Levantamento realizado pelo “Corredor Caipira” aponta baixa vegetação, queimadas e captação de água comprometida

Foi em 3 de junho de 1992 que a Eco-92 colocava a mudança climática na pauta global. Naquele ano, representantes de 178 países se reuniram no Rio de Janeiro para discutir problemas ambientais, como o efeito estufa, emissão de CO2, desmatamento. Passados 30 anos, o maior legado da chamada “Cúpula da Terra” foi colocar a consciência ecológica e o desenvolvimento sustentável na pauta do mundo. No entanto, medidas concretas do que foi discutido na ocasião ainda patinam.

Com seus cursos universitários e inúmeras pesquisas nestas áreas, Piracicaba se mostra relevante no Estado em políticas desenvolvidas na área da preservação do meio ambiente. A chefe do serviço de gestão ambiental da Prefeitura do campus “Luiz de Queiroz”, Ana Maria Meira - que é também engenheira florestal, educadora ambiental e doutora em ciências -, diz que as ações desenvolvidas pela universidade, poder público e instituições que atuam no setor podem fazer Piracicaba ser uma referência maior na área. “Avançamos em alguns aspectos como na legislação de resíduos por exemplo, adequando-a ao marco legal de saneamento; na construção e implementação de ações ambientais pelas instituições e pelas iniciativas de grupos ambientais do município. Temos o potencial para ser um município referência em meio ambiente, por termos tantas instituições de ensino tão qualificadas no tema ambiental, com especialistas nas mais diversas áreas, com uma cidade privilegiada em seus mananciais hídricos, com beleza cênica e grande vínculo afetivo e pertencimento com o rio Piracicaba”, diz Ana.

No entanto, há etapas a serem vencidas. Especialistas do projeto “Corredor Caipira” apontaram problemas em Piracicaba e região, como o baixo índice de 13,2% de vegetação nativa da área de influência direta do projeto, formada por cinco municípios. A porcentagem corresponde a 9% (12 mil hectares) em Piracicaba; 15% (4 mil ha) em Santa Maria da Serra; 16,5% (10,5 mil ha) em São Pedro e Águas de São Pedro; e 18,5% (13,5 mil ha) em Anhembi.

Com o baixo índice de vegetação, o projeto aponta que áreas importantes para a captação de água estão desprotegidas. Isso, somado às queimadas, pode levar a problemas de captação e crise hídrica. “O solo sem vegetação florestal fica menos permeável, a água escorre mais superficialmente e, assim, ocorre erosão e assoreamento. Isso diminui a capacidade de estoque de água para o abastecimento público, o que resulta em crises hídricas que afetam diretamente a sociedade”, afirma Edson Vidal, professor doutor da Esalq/USP e coordenador geral do projeto.

O “Corredor Caipira: Conectando Paisagens e Pessoas” atua com ações de restauração florestal e educação ambiental no interior paulista.

DESAFIOS
Entre outros desafios a serem superados, Ana aponta a gestão de resíduos, principalmente em áreas rurais e a restauração de florestas. “Esses desafios também passam pela construção de políticas públicas ambientais, pelo diagnóstico participativo e pelo planejamento, por investimentos nos diversos temas ambientais, pela revisão do sistema produtivo e de consumo de bens, pela tomada de consciência e internalização de valores como o respeito e corresponsabilidade ambiental, pela potência de ação de que todos podemos contribuir e que toda ação conta. Precisamos priorizar a questão ambiental e o desenvolvimento comprometido e continuado de ações ambientais e não considerá-las como perfumaria, pois são fundamentais e necessárias para a manutenção da qualidade de vida para todos os humanos e não humanos”.

Nani Camargo
Especial para o JP

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