09 de julho de 2026

Câmara estuda criar campanha realizada na Europa

Por Laís Seguin |
| Tempo de leitura: 2 min

Ideia é afixar cartazes de forte impacto em vários setores

A Procuradoria Especial da Mulher da Câmara Municipal pretende lançar em Piracicaba uma campanha de combate a violência contra a mulher inspirada em um movimento que teve êxito no norte de Portugal e Espanha. Durante reunião nesta semana com representantes de diversas instituições a proposta trazida pela professora Célia Regina Rossi foi discutida.

A docente da Unesp (Universidade Estadual Paulista) na área de direitos humanos compartilhou o que viu quando passou pelos dois países entre 2017 e 2018. Segundo ela, de lojas a bares, cartazes foram afixados com mensagens para impactar as pessoas sobre a violência cometida contra as mulheres e explicitar a posição de repúdio dos comércios que aderiram à iniciativa.

“Lá, aonde você vai, tem um cartaz. Teve um impacto muito grande na violência, que regrediu. Envolveu toda a sociedade, mostrando que ela não admite isso, e podemos fazer o mesmo em Piracicaba”, disse Célia, acrescentando ter percebido que muitas pessoas passaram a privilegiar os comércios que aderiram à campanha. “Escolhiam comprar lá porque a loja tem uma preocupação com a violência contra a mulher”, exemplificou.

Integrantes da Procuradoria Especial da Mulher, as vereadoras Rai de Almeida (PT) e Silvia Morales (PV), do mandato coletivo A Cidade É Sua, reforçaram a necessidade da campanha em Piracicaba diante do que mostram as estatísticas da violência de gênero. Rai chamou a atenção para os 56.098 boletins de ocorrência referentes a casos de violência sexual registrados em 2021 no País e para os fatos de que uma mulher é estuprada no Brasil a cada dez minutos e 30 sofrem algum tipo de violência física a cada hora.

“A violência doméstica aumenta sobremaneira em dias de jogos de futebol, em que bebida e euforia são agravantes”, acrescentou, sobre a alta de 23,7% em registros de boletins de ocorrência verificada nessas datas. “Os principais motivos para uma mulher não denunciar são o medo e a vergonha de gritar ou chorar por uma violência, um tapa, um murro, os olhos inchados. Mas precisamos desse enfrentamento para que os homens tenham vergonha de fazer isso. Temos de fazê-los romper com a violência instaurada”, afirmou.

Silvia Morales lembrou que iniciativas propostas pelo Legislativo para a realização de campanhas contra a violência de gênero esbarram no entendimento de que invadem uma competência que seria exclusiva do Executivo, além de implicar despesas. A saída para tirar a ideia do papel, na avaliação da vereadora, passa pela adesão de instituições e entidades de classe. “É preciso
ter sindicatos, o Sesc, o Simespi comprando a ideia”, ilustrou, citando organizações que estiveram representadas na reunião.

A ideia de lançar a campanha com cartazes afixados em escolas, unidades de saúde, hospitais, hotéis, estabelecimentos culturais e arenas esportivas, entre outros lugares, foi aprimorada no encontro com sugestões dadas pelos participantes.

Beto Silva
beto.silva@jpjornal.com.br

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