11 de julho de 2026

Livro sobre ditadura desvenda fatos inéditos do período do governo militar

Por Laís Seguin |
| Tempo de leitura: 2 min

Sarruge apresenta fontes históricas desconhecidas dos arquivos da Esalq e Deops

O período de ditadura pelo qual o Brasil passou durante o governo militar volta a ser analisado pela lupa da literatura com informações inéditas. Desta vez, o autor Rodrigo Sarruge Molina traz o assunto para o ambiente universitário da Esalq/USP (Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da Universidade de São Paulo) junto do setor do agronegócio. Sob o título ‘Agro, ditadura e universidade: Esalq-USP e a modernização conservadora (1964 a 1985)’, Sarruge faz o lançamento oficial de sua obra hoje (quarta-feira) durante a Jornada Universitária em Defesa da Reforma Agrária 2022. Ele estará na Esalq no evento às 19h no Centro de Vivências Luiz Hirata – haverá publicações com desconto para estudantes e professores da rede pública. A edição está à venda por R$ 64 no site Autores Associados (autoresassociados.com.br).

A obra é a estreia de Sarruge no mundo dos livros após uma longa jornada acadêmica. “Esse livro é fruto de um grande esforço que realizo desde 2004 quando fazia História na Unimep e trabalhava como historiador do Museu Luiz de Queiroz. Essa oportunidade me fez entrar em contato com diversas fontes históricas inéditas sobre a História da Esalq e do Brasil que estão publicadas nesse livro. E foi no doutorado que eu e meu orientador José Luís Sanfelice resolvemos analisar o recorte histórico da ditadura civil-militar (1964-1985).”

Sarruge apresenta fontes históricas inéditas dos arquivos da Esalq e do Deops (Departamento de Ordem Política e Social). Ele destaca que o Brasil é um dos únicos países do mundo que ainda não fez uma revisão crítica do seu passado. No ambiente universitário, há relatos de prisão de estudante antes da instalação da ditadura, presença do governo dos Estados Unidos dentro da escola e utilização dos fundos públicos para o desenvolvimento de pesquisa e ciência que atendesse aos interesses da classe dominante em detrimento da marginalização de grande parte dos brasileiros.

“Infelizmente, quando falamos da História do Brasil observamos um grande padrão societário. Os grandes ‘acordos nacionais’, conhecidos também como pactos de consenso. Isso fica evidente com a fim do trabalho escravo e o abandono dos negros e seus descendentes, jogados a própria sorte ou no famoso áudio de Romero Jucá no contexto do golpe de 2016 que propunha um grande ‘acordo nacional, com o supremo, com tudo’. O que isso significa? Que os problemas não são resolvidos no Brasil e a sujeira é jogada para baixo do tapete.

Cristiane Bonin
cristiane.bonin@jpjornal.com.br

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