09 de julho de 2026

Frutas subiram 6% e legumes, quase 9,5%; alta geral dos alimentos chega perto dos 5%

Por Rafael Fioravanti |
| Tempo de leitura: 3 min

Indicador do Ceagesp mostra pressão sobre cesta de produtos causada por clima, combustível e insumo agrícola

O preço médio para peixes, ovos, hortaliças, legumes e frutas subiu quase 5% em março, conforme o índice de preços da Ceagesp (Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo). O indicador mensal sofreu impacto com o aumento de 6,14% no valor das frutas vendidas pela companhia no Estado. Também puxaram a alta os legumes (9,43%) e diversos (3,13%). No top cinco dos alimentos com mais alta estão: tomate cereja (62,9%), pimentão amarelo (61,07%), tomate italiano (50,75%), melão amarelo (45,04%) e pimentão vermelho (44,77%).

Conforme o Cepea/Esalq/USP (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada, da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz, unidade da Universidade de São Paulo), a tendência é a de que o preço das frutas continue pressionado pelos custos na produção (preço dos fertilizantes e dos defensivos agrícolas mais o valor do frete). Na outra ponta, do consumidor, o varejo deve seguir com maior estabilidade na quantidade ofertada e nos preços dos produtos. Para o setor de verduras, há o receio na diminuição da disponibilidade de alguns itens da cesta de produtos, fazendo com que haja elevação dos preços, informa a Ceagesp.

“Para 2022, o setor [de hortifrúti] ainda deve trabalhar com cautela, pois, os indicadores preveem uma recuperação ainda muito lenta da economia brasileira. A inflação pode ficar abaixo da verificada em 2021, o que, ao menos, aliviaria um pouco o poder de compra do consumidor, que está limitado. O câmbio em 2022 deve se manter em patamar elevado, próximo de R$ 5,5 por dólar. Ao mesmo tempo que o dólar neste patamar tende a manter atrativas as exportações de frutas frescas, no campo, tende a elevar os já altos preços dos insumos agrícolas. Neste caso, além do câmbio, observa-se restrição da cadeia de distribuição de insumos e forte concorrência com as culturas agrícolas de maior extensão, como a soja”, diz o Cepea em sua publicação de março sobre o setor.

MAIS BARATOS
As principais reduções no índice Ceagesp ocorreram para os preços do coentro (-55,85%), rabanete (-46,50%), alface americana (-30,06%), rúcula hidropônica (-29,02%) e escarola (-26,74%). Entre as frutas, caíram kiwi estrangeiro a granel (-34,34%), pera estrangeira d’Anjou (-23,63%), limão Taiti (-20,68%), abacate geada (-15,73%) e goiaba branca (-12,94%). Já para os legumes ficaram mais baratos chuchu (-36,73%), batata-doce rosada (-18,42%), abobrinha italiana (-17,03%), berinjela (-16,04%) e abobrinha brasileira (-15,05%). Para os chamados diversos, caíram a lula congelada (-9,91%), beterra (-7,69%), namorado (-7,27%), do curimbatá (-6,03%) e da abrotéa (-5,77%). A avaliação da Ceagesp é de que os alimentos ainda serão impactados no preço pelos efeitos do clima adverso no primeiro trimestre do ano e aumento nos custos de produção.

“O destaque para o período ficou com o setor de verduras, que segurou o índice Ceagesp em patamares mais baixos. Este setor apresentou queda de -11,63% em relação ao mês anterior (fevereiro). Para este setor, dos 38 itens que compõem a cesta, 66% apresentaram variação porcentual negativa de preço (recuo)”, disse a empresa em nota.

A explicação, segundo apuração feita pela Ceagesp junto a agentes do mercado, é que os preços elevados nos meses de janeiro e fevereiro levaram a uma retração da demanda.

Cristiane Bonin
cristiane.bonin@jpjornal.com.br

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