08 de julho de 2026

“Percevejos e pouca comida”, dizem os atendidos pela Casa de Passagem

Por Laís Seguin |
| Tempo de leitura: 3 min

Vereadora Rai (PT) esteve no local, após receber reclamações em seu gabinete

Em visita a Casa de Passagem, no Jardim Califórnia, a vereadora Rai de Almeida (PT) foi constatar a veracidade das reclamações recebidas em seu gabinete sobre possíveis inadequações nos serviços prestados, como por exemplo em relação à quantidade e qualidade da alimentação fornecida, à ausência de profissionais especializados. O espaço é destinado ao acolhimento de pessoas entre 18 e 59 anos, de ambos os sexos, em situação de vulnerabilidade social.

“Viemos para conhecer a realidade daqui, para conversar com os profissionais e com os usuários deste serviço, seja da população em situação de rua de Piracicaba, seja dos trecheiros e migrantes, que também passaram a ser atendidos aqui desde o fechamento do Albergue Noturno, no início deste ano”, disse a parlamentar.

A Casa de Passagem, segundo a assistente social da Smads (Secretaria Municipal de Assistência e Desenvolvimento Social), Nádia Cristofoletti, é uma modalidade prevista na política nacional de Assistência Social e busca oferecer, como seu próprio nome sugere, serviços de acolhimento passageiro e imediato para pessoas em situação de vulnerabilidade.

“Existem 2 modalidades de acolhimento de adultos em situação de rua, o abrigo institucional, que aqui em Piracicaba é feito pelo NAS (Núcleo de Apoio Social) e a Casa de Passagem, onde as pessoas podem pernoitar e usar o serviço para se alimentar, para descansar e para fazer as atividades”, disse.

O prédio onde a Casa de Passagem é de propriedade da prefeitura, mas a gestão e execução dos serviços são de responsabilidade, desde 1º de janeiro deste ano, do Cesac (Centro Social de Assistência e Cultura São José), entidade que venceu o chamamento público lançado no final de 2021, no valor de R$ 1,25 milhão, para prestar o serviço 24 horas.

O coordenador da Casa, Gustavo Nazato Valentinuci, disse que a Casa de Passagem é um serviço temporário e não um lar definitivo, mas que durante a pandemia foi oferecido uma espécie de acolhimento mais intensivo mas, que agora, o serviço precisa retomar o seu caráter de curta permanência. “O pessoal vem aqui para pernoitar, para passar por atendimento técnico e participar de alguma oficina, de alguma atividade que está ocorrendo. Do contrário, não é a casa deles, não é quarto deles, não é a cama deles”, afirmou.

ALIMENTAÇÃO
Durante a visita, Rai de Almeida conversou com algumas pessoas que fazem o uso do serviço, e que reclamaram da qualidade da alimentação oferecida. Segundo eles, a antiga instituição que coordenava a Casa de Passagem oferecia marmitex em quantidade e qualidade satisfatória, algo que de acordo com eles não mais acontece.

“Vem a comida agora no “balde”, e todo mundo come ‘militar’, limitadamente”, disse Isaías Silva Santos, que atualmente usa a Casa de Passagem.

Segundo Vânia Santin Beraldo, coordenadora-geral do Cesac, uma reunião com a empresa que fornecedora da alimentação do local será marcada ainda nesta semana para rever os procedimentos e os pontos levantados. Ela também disse que a contratação de novos profissionais para realizar atividades e oficinas com os usuários do serviço também deve ser realizada em breve.

PERCEVEJOS
“Estou comido pelos dois lados”, diz José Fernando da Costa. A existência da infestação é igualmente afirmada por um outro senhor, que apresenta em seu celular um vídeo em que é possível ver um grande número de insetos andando livremente pelos colchões da unidade.

Segundo Vânia, a Casa de Passagem deve ser dedetizada em breve. Ela diz, no entanto, que para que isso ocorra é necessário que o local seja esvaziado por pelo menos 24 horas.

Próximos passos – Rai de Almeida, após conversa com os usuários, disse que buscará intermediar uma conversa com as secretarias municipais de Saúde e de Esportes, Lazer e Atividades Motoras para verificar a possibilidade de projetos para a Casa de Passagem. A parlamentar também disse que, em breve, visitará o NAS para analisar as condições de acessibilidade do local. “O que nós vemos é que o serviço aqui prestado ele é paliativo. Precisamos urgentemente de ações mais integradas da assistência social e das demais pastas para que essas pessoas sejam realmente atendidas em suas necessidades”, disse a vereadora.

Da Redação

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