Refinaria vendida pela Petrobras já pratica preço 27% acima do da estatal e há espaço para mais altas
Começa a valer hoje (sexta-feira) o primeiro aumento do ano nos derivados de petróleo e, de acordo com o cenário internacional, não deve ser a última alta no Brasil em 2022 para produtos como gasolina, diesel e gás de cozinha. A Petrobras autorizou ontem (quinta-feira) reajuste para combustíveis – 18,7% para gasolina e diesel, 24,9% – e botijão de gás (+16%). Conforme a última coleta no mercado varejista feita em Piracicaba pela ANP (Agência Nacional de Petróleo) no início deste mês, o preço mínimo do gás vai furar de vez a casa dos R$ 100 e o valor mais barato por litro da gasolina e do diesel não poderão ser encontrados por menos de R$ 7,061 e R$ 6,618, respectivamente.
O fôlego durou pouco: foram 57 dias sem reajustes. Conforme nota da Petrobras, ainda há ‘espaço’ para novos aumentos. A economista Cristiane Feltre, professora do Centro de Economia e Administração da PUC-Campinas (Pontifícia Universidade Católica) alerta que a manutenção dos preços do barril do petróleo em paridade com o dólar e o agravamento da situação no Leste europeu deverá provocar outros aumentos dos combustíveis no Brasil neste ano. “Há uma insistência que ronda o senso comum de que a Petrobras deva ser totalmente privatizada nos próximos anos. Não acredito que este processo venha a ter efeitos positivos nos preços dos combustíveis aqui, já que mesmo com uma parcela do capital ainda público (36,6%), a maior parte da empresa já é privada e com 45% do capital pertencente a investidos estrangeiros. Vender o que é público, só deverá agravar a situação dos brasileiros.”
REFLEXOS
Salários mais baixos ainda, desemprego e arrocho maior da economia brasileira. Esta é a análise da economista Cristiane Feltre. “A união do baixo crescimento e aumento dos preços dos combustíveis deverá gerar um círculo vicioso difícil de se reverter neste ano na geração de menos empregos. Com uma oferta de mão-de-obra abundante no mercado, as vagas geradas provavelmente terão remunerações muito inferiores às desejadas ou mesmo necessária à sobrevivência, o que provoca retração ou baixo crescimento da massa de salários. Essa evolução pouco positiva da massa de salários unida ao aumento persistente dos preços dos combustíveis e do gás de cozinha (bens essenciais para empresas e famílias) acabará arrochando ainda mais a economia, já que as famílias acabam não consumindo ou reduzindo o consumo de outros bens e serviços. O aumento no preço dos combustíveis deve provocar impactos negativos não apenas diretamente no orçamento das famílias pelo gasto com transporte. O diesel ainda é insumo para o transporte das demais mercadorias, inclusive o próprio combustível, que devem ser encarecidos, mesmo com as estimativas de baixo crescimento econômico.”
Cristiane Bonin
cristiane.bonin@jpjornal.com.br
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