10 de julho de 2026

Discípulo de Felipão, Roberto Cavalo avisa: ‘Vamos subir’

Por Laís Seguin |
| Tempo de leitura: 5 min

O técnico Roberto Fernando Schneiger, 58, ou simplesmente Roberto Cavalo, tem muita competência, é disciplinador, enérgico, mas também é da resenha, como dizem o “boleiros”. O atual comandante do XV de Piracicaba chegou recentemente ao clube, mas já se sente em casa e goza do prestígio junto ao torcedor e à diretoria. Também não é para menos. Desembarcou na Rua Silva Jardim em um momento de turbulência da equipe, mas conseguiu arrumar o XV, que agora faz ótima campanha no Campeonato Paulista da Série A2 e está bem perto da classificação para a fase decisiva da. Empolgado com o trabalho, ele acha que o Nhô Quim tem plenas condições de chegar à final e consequentemente garantir uma vaga na elite do Paulista em 2023.
Disciplinador e, ao mesmo tempo, amigo, Roberto Cavalo segue a linha do técnico Luiz Felipe Scolari, o Felipão, que, aliás, foi seu comandante no futebol (trabalharam juntos no Criciúma). Até hoje os dois mantêm uma relação de amizade e carinho. “Eu sempre me inspirei nele”, conta, com orgulho.

Polêmico, durante a entrevista exclusiva que concedeu à reportagem do Jornal de Piracicaba na sala de imprensa do XV, ele também foi direto quando o assunto são os técnicos estrangeiros no Brasil: “Eu acho ruim. Muitos amigos estão desempregados e eu não vejo muita diferença assim”. Abaixo, a entrevista na íntegra:

Conte pra gente um pouco de sua trajetória no futebol, como jogador de futebol e técnico…

Bem, como atleta, eu comecei no Atletico-PR, onde foi campeão em 1985 com o Nelsinho Baptista. Depois fui com o Criciúma o campeão da Copa do Brasil de 1991, vendendo na final o Grêmio. Depois, no Vitória da Bahia, chegamos à final do Campeonato Brasileiro de 1993, onde perdemos para o Palmeiras. Passei também por times como o Botafogo, o Sport, a Ponte Preta… Como técnico fui campeão da Série C com o Avaí e outros muitos times, onde conquistei alguns acessos.

Você tem a fama de ser um técnico disciplinador; estilo Felipão. Aliás, um treinador que você conhece bem, pois foi seu comandante no Criciúma…

Ele é um treinador exigente, duro, mas também é muito amigo, um coração muito bom. E eu tenho esse perfil também. Mas nós temos de saber diferenciar a razão com o coração. Isso que aprendi com ele. Na época nós tomávamos chimarrão juntos e com o time todo. Na hora de fazer um jantar era com família junta e isso a gente faz também. E eu sempre me inspirei nele, no Felipão. É lógico que estou muito distante ainda, porque o Felipão é um cara consagrado.

Hoje você ainda mantém o contato com ele?

Tenho sim. Na semana passada eu falei com o Felipão. Ele não sabia que eu estava no XV. Eu mandei uma foto para ele mostrando que estava aqui, e ele me retribuiu desejando boa sorte. Falo com ele seguidamente. É um amigo. Como ele foi muitas vezes campeão, espero que eu ganhe pelo menos esse título aqui no XV. Aí eu ficaria muito feliz.

Vamos falar agora de Série A2. Sobem somente dois…

A gente sabe que tem grandes equipes como a Portuguesa e o Oeste. O XV vai ter de deixar uma dessas equipes na A2 se quiser subir… Não somente esses. O São Caetano também é um time experiente e também tem muita história no futebol paulista e no Brasil. Mas a Portuguesa, que não vinha fazendo uns anos bons, agora está líder. E o Oeste por ter mantido o grupo durante dois, três anos juntos. Mas o futebol em si hoje é muito equilibrado. O tempo é curto, mas eu falo com muita gente do futebol e maioria diz que o XV é um dos candidatos a subir. Isso nos dá muita convicção
de acesso.

Quantos pontos o XV precisa para se garantir entre os oito e principalmente no G4, que também é importante?

A gente não faz essas contas. Eu implantei aqui com os jogadores que é jogo a jogo. No ano passado, o XV com 21 pontos se classificou. Mas hoje não. Nós vamos fazer jogo a jogo. Não devemos pensar em fazer o segundo jogo em casa porque temos primeiro de nos classificar. Antes do jogo contra o Red Bull, a gente está fora do G8. Como ganhamos, pulamos para terceiro, quarto. Então é jogo a jogo.

Queria que você deixasse uma mensagem para a torcida.

Neste ano, o torcedor não está vindo muito ao Barão. O que você diria para o torcedor quinzista? A diretoria até está fazendo uma mobilização para trazer mais torcedores, com promoções. Eu acho que agora chegou o momento decisivo, de classificação. O momento de o torcedor vir a campo. E nós só temos uma forma de fazer a alegria deles: ganhar jogo. Eu sei que a torcida do XV é bem maior do que a que está vindo… Mas tem um série de situações: o financeiro, é o time que às vezes não empolga; é a pandemia; é o sábado; o feriado que todo mundo viaja. Mas agora, se mantivermos essa boa sequência, eu tenho certeza de que nossa torcida vai comparecer em maior número para nos ajudar a buscar esse tão sonhado acesso.

Para terminar, eu gostaria de saber a opinião sua sobre a onda de técnicos de fora, principalmente os portugueses, no Brasil.

Aqui em São Paulo tem o Abel, que é uma realidade, e o Vitor Pereira, que assumiu o Corinthians agora. É bom ter técnicos estrangeiros aqui no Brasil? Não. Eu acho ruim. Nós estamos perdendo mercado. Muitos amigos nossos desempregados e eu não vejo muita diferença assim. Vamos esperar para ver. Vamos ver o Brasileiro. Vamos ver quantos vão continuar. Não sei se os clubes brasileiros estão insatisfeitos com o nosso trabalho, não sei o que está acontecendo. O Tite é o melhor hoje. E é brasileiro. Não tem outro. Eu acho errado trazer esse monte de treinadores de fora, sendo que nós temos aqui profissionais qualificados. Não vou dizer que vou torcer para não dar certo. Mas eu vou torcer pelos meus colegas que estão no Brasil.

Erivan Monteiro
erivan.monteiro@jpjornal.com.br

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