11 de julho de 2026

Depois de mais de um dia viajando de trem, atletas piracicabanos cruzam a fronteira e chegam à Eslováquia

Por Laís Seguin |
| Tempo de leitura: 4 min

Victor Adame e Gabriel Patreze, com mais três brasileiros do Volchansk, devem voltar ao Brasil nesta semana

Foi uma viagem longa e cansativa de trem, de aproximadamente 30 horas, mas os cinco jogadores brasileiros do Volchansk, sendo dois piracicabanos, já estão longe da guerra. Eles tiveram a ajuda da Embaixada Brasileira e do empresário dos atletas, Edmar Lacerda, um brasileiro naturalizado ucraniano, e partiram para a Eslováquia, também no Leste Europeu, onde foram acolhidos por um piracicabano que mora por lá. Agora, a dúvida é sobre a volta ao Brasil. A expectativa é que entre hoje e amanhã (terça e quarta) eles sigam viagem para a América.

Os familiares dos jogadores piracicabanos Victor Adame, 22, e Gabriel Patreze, 20, dois dos cinco brasileiros que estavam no Volchansk, time da Segunda Divisão da Ucrânia, agora estão mais tranquilos. Os outros três brasileiros – Weldel, de Limeira, Luan, do Rio de Janeiro, e Joanderson, de Recife – vêm no mesmo voo que terá como destino final o Aeroporto Interncional de São Paulo, em Guarulhos.

O governo brasileiro e o empresário dos jogadores ainda negociam como será essa viagem, se em um avião da FAB (Força Aérea Brasileira) ou em uma areonave comercial.

“Agora estamos mais calmos. Estamos em um apartamento de um brasileiro na Eslováquia. Contamos com a ajuda da Embaixada Brasileira e do nosso clube”, contou Victor Adame. “Agora está tudo bem. Mas não sabemos ainda quando voltaremos. O empresário (Edmar Lacerda) está vendo”, completou Patreze. Os dois piracicabanos estão há cerca de duas semanas no Leste Europeu, quando se apresentaram ao Volchansk, dias antes da guerra começar entre russos e ucranianos.

Os dois começaram no XV de Piracicaba, mas tiveram destinos diferentes até voltarem a se encontrar no Leste Europeu. Ao deixar o Nhô Quim, Victor Adame atuou ainda pelo Costa Rica, do Mato Grosso do Sul, e pelo Patrocinense, de Minas Gerais. Já Gabriel Patreze ficou cerca de um ano parado, devido à pandemia. Nesse período, fez jogos esporádicos na várzea para ganhar algum dinheiro. Com o convite para atuar na Ucrânia, ele partiu para o Velho Continente.

FAMILIARES
“Eu estava muito abalada, três dias sem dormir e sem comer. Hoje estou aliviada”, disse a diarista Emilene Bueno de Campos, mãe o jogador Gabriel Patreze, 20 anos. Ela, que mora do bairro Astúrias, disse que o sonho do filho sempre foi ser jogador de futebol; “Desde os cinco anos ele joga e corre atrás do sonho. Agora que estava conseguindo acontece essa guerra”, lamenta a mãe.

A mãe, o irmão Rafael Campos, de 15 anos, e a namorada Brenda Gibin, 20, encontraram com a reportagem do JP em frente ao campo do Astúrias, onde o menino deu os primeiros chutes na bola antes de tentar a carreira profissional. “Ele jogou um tempo na várzea para conseguir algum dinheiro”, diz a mãe, lembrando que Gabriel ficou um ano parado devido a pandemia após deixar o XV de Piracicaba. “Jogou aqui (campo do Astúrias) e em todos os lugares. Ele é louco por futebol”.

Brenda também contou da apreensão de ver o namorado do outro lado do mundo, no meio da guerra, sem poder fazer nada. “É muito difícil, mas ele é tranquilo e agora deu tudo certo”, explicou Brenda, que não vê hora de voltar a vê-lo novamente no Brasil. Sobre a possiblidade de Gabriel voltar à Ucrânia para jogar futebol, ela foi entáfica. “Ele voltaria sim porque é o sonho dele”, contou.

O tio de Victor Adame, José Roberto Adame Júnior disse que todos estão felizes por saber que ele está bem, mas ansiosos por vê-lo novamente. “Família com o coração a mil esperando para abraçá-lo novamente! Não era dessa maneira que gostaríamos de comemorar o retorno. Mas vamos curtir cada momento da melhor maneira possível. Estamos radiantes, porém, ainda em orações e torcendo para os demais brasileiros e todo povo que busca a evacuação daquele confronto de guerra”, contou.

Adame Júnior disse que os familiares sempre apoiaram a carreira de Victor, especialmente o avô. “Meu pai, o avô do Victor, sempre sonhou em ver nosso menino se despontar na Ucrânia. Infelizmente não deu tempo! Mas Deus sabe de todas as coisas. Agora é esperar a carga de adrenalina abaixar para depois agradecermos com calma a todos que nos ajudaram nessa missão de deixar o país que se encontra em confronto de guerra”, finalizou Adame Júnior.

Erivan Monteiro
erivan.monteiro@jpjornal.com.br

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