Crime que tem feito vítimas e repercutido na cidade
A prática de estelionato não é de hoje. Embora o crime seja antigo, ele tem surgido com força nos últimos meses aqui em Piracicaba, devido à grande quantidade de pessoas que tem caído nele.
De acordo com a Polícia Civil, o estelionato acontece quando o indivíduo usa o engano ou a fraude para levar vantagem sobre outra pessoa. São os famosos “golpes”. Na ocasião, o indivíduo se aproveita da fragilidade da vítima a fim de convencê-la a dar objetos pessoas ou dinheiro, seja lá qual for o valor.
A designer I.S., de 36 anos, que prefere não se identificar, foi uma das muitas vítimas de estelionato em Piracicaba. Moradora do bairro Dois Córregos, ela conta que o golpe ocorreu por meio da internet. Por menor que tenha sido o valor, a designer relata que a perspicácia e o talento dos indivíduos para o crime, faz com que a vítima sequer desconfie.
“Em um grupo de freelancers da rede social Facebook, um perfil anunciou uma vaga para designers em uma agência da cidade de São Paulo. Os trabalhos, no caso, eram distribuídos por meio de uma plataforma on-line”, conta a designer ao Jornal de Piracicaba. “Na época, pesquisei a agência e ela parecia ser bem honesta, tinha site, uma fanpage movimentada, endereço e até CNPJ.”
A designer conta que realizou até um processo seletivo para concorrer à vaga. Quando foi ‘aprovada’ os golpistas disseram que mensalmente seria descontado um valor de R$ 65 referente ao uso da plataforma. “A princípio eu estranhei, mas como era um valor baixo, realizei o pagamento. Feito isso, a empresa sumiu.”
Resultado: nunca houve trabalho. Pouco tempo depois, todos os sites e redes sociais da referida empresa foram apagados. “E ainda me lembro que, na época, mais pessoas caíram no mesmo golpe”.
A aposentada Giseli Almeida, de 59 anos, também passou por algo semelhante. Ela conta que estava em sua casa, quando recebeu uma ligação em seu telefone fixo de um indivíduo se passando por seu sobrinho. “A voz era idêntica à de meu sobrinho”, conta. “Fingindo ser meu sobrinho, o golpista disse que havia sofrido um acidente de carro e que estava precisando de ajuda. Como meu sobrinho dirige mal, eu realmente pensei que fosse ele.”
Ainda se passando pelo sobrinho da aposentada, o golpista comentou que estava sem a carteira e que precisava que ela emprestasse a quantia de R$ 2.000, que seria usado no hospital. “Eu disse que não tinha aquele dinheiro no momento para emprestar. Quando a pessoa disse que não havia problema e perguntou para mim quanto eu tinha na conta para emprestar por PIX, aí comecei a estranhar a história”, conta a aposentada. “Meu filho estava junto e entrou em contato com meu sobrinho. Ele estava almoçando, não havia sofrido nenhum acidente de carro.”
POLÍCIA CIVIL
As pessoas vítimas de estelionato podem registrar ocorrência pessoalmente na delegacia ou pela internet por meio do site da Polícia Civil. “O crime de estelionato está bastante em alta realmente, principalmente envolvendo PIX”, comentou ao JP o policial civil Marcelo Oliveira. Ele diz que a única coisa que muda é a história que os golpistas contam, pois a forma como eles agem é, no geral, a mesma.
“Dica número 01: nunca passe para terceiro nenhum código de SMS que você receber no seu telefone, isso pode ser um indivíduo tentando clonar o seu perfil”, informa o policial. “Dica número 2: sempre que você ver um parente ou conhecido vendendo algo pela internet, nunca faça PIX. Mesmo que eles digam que se trata de uma emergência, nunca faça o PIX de forma imediata. Para saber se trata-se realmente da pessoa, e poder fazer uma transação segura, sempre telefone para ela.”
Além dos golpes de estelionato por PIX, que têm sido bastante corriqueiros em Piracicaba, o policial civil comenta também que outro golpe bastante comum tem sido o de venda de veículos pela OLX. “São os golpes que mais fazem vítimas diariamente, o tempo todo”, alerta.
Rafael Fioravanti
rafael.fioravanti@jpjornal.com.br
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