11 de julho de 2026

Renda por habitante na RMP é maior do que PIB per capita do Estado de São Paulo

Por Laís Seguin |
| Tempo de leitura: 2 min

Levantamento foi feito pela economista da PUC-Campinas, Cristiane Feltre; crescimento da região também é maior

Desde 2018, o PIB (Produto Interno Bruto) per capita da RMP (Região Metropolitana de Piracicaba) tem ultrapassado o mesmo cálculo para o Estado de São Paulo. Dentro de uma série histórica a partir de 2010, a renda por habitante na região atingiu o mais alto nível em 2013 e 2019, chegando próximo da faixa dos R$ 35 mil anuais. O cálculo e a análise são da economista Cristiane Feltre, com base em dado do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) e Fundação Seade (Sistema Estadual de Análise de Dados) – os valores disponibilizados pelo IBGE foram deflacionados para o ano de 2010. O último levantamento
publicado pelo IBGE é de 2019.

“O fato curioso é que, a partir de 2018, o PIB per capita da RMP passou a ser maior do que o do Estado. Ainda é cedo para fazer alguma inferência se há uma tendência de aumento ou foi um evento apenas sazonal”, explica a economista, professora do Centro de Economia e Administração da PUC Campinas (Pontifícia Universidade Católica) e criadora do perfil nas redes sociais RMP em Números (@rmpemnumeros).

Conforme a evolução sintetizada por Cristiane Feltre, em 2018, a RMP iniciou um descolamento do nível atingido pela soma das cidades paulistas. O último dado do IBGE já mostra um distanciamento maior para 2019: com o PIB per capita da RMP mais próximo á faixa dos R$ 35 mil e o Estado, na linha dos R$ 30 mil.

“O PIB per capita não mostrou evolução diferente do PIB (a preços constantes). Até 2014, o Estado de São Paulo e a RMP tiveram evolução positiva da economia. Essa tendência se inverteu a partir de 2015, quando a economia brasileira já mostrava sinais de exaustão e se deu o início do processo de impeachment da ex-presidenta Dilma [Rousseff]. Este último evento provocou instabilidade política no país, piorando os indicadores de confiança dos consumidores e empresários, o que agravou ainda mais a situação econômica brasileira e também a regional”, explica a professora e economista.

PIB RMP
A soma de todos os bens e serviços finais produzidos na RMP representa 3,6% do PIB do Estado de São Paulo, informa a economista Cristiane Feltre. Ela também comparou as evoluções da região de Piracicaba e do Estado de São Paulo. “Enquanto no Estado de São Paulo o PIB tem uma variação maior na taxa de crescimento, a RMP se mostra um pouco mais estável. Isso pode ser reflexo de diversos fatores como renda regional, capacidade de geração de empregos formais etc. Quanto ao crescimento, a RMP no período analisado [2010 a 2019] apresentou uma taxa de crescimento maior (3%) do que a do Estado (1%).”

Cristiane Bonin
cristiane.bonin@jpjornal.com.br

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