Pesquisa da associação brasileira do segmento mostra que consumo ainda segue subindo, mesmo com preços altos
Levantamento sobre 35 produtos de uma cesta básica de alimentos aponta que os gêneros que mais subiram nos últimos 12 meses – a contar de novembro de 2021 – com alta superior a 30% foram: café torrado e moído, açúcar, extrato de tomate, margarina, frango congelado e ovo – veja o quadro nesta matéria. O valor cheio da mesma cesta pulou de R$ 465,57 (janeiro/2019) para R$ 697,80 (novembro/2021), um aumento de 49,88%. Os dados são da Abras (Associação Brasileira de Supermercados) e foram divulgados ontem (quinta-feira) dentro da pesquisa mensal ‘Consumo nos Lares Brasileiro’.
No comparativo entre novembro e outubro de 2021, os itens com as maiores altas foram cebola (25,2%), extrato de tomate (22,3%), café torrado e moído (10%), biscoito de maisena (6,5%) e sabão em pó (5,8%). Entre as maiores quedas estão carne (peça dianteira, -4,6%), queijo muçarela (-3,1%), leite longa vida (-2,7%), batata (-2,6%) e queijo prato (-2,1%).
Agora considerando todos os itens da cesta chamada pela associação de Abrasmercado – gêneros de largo consumo nos supermercados, uma listagem elaborada pela GFK em parceria com a Abras – houve pequena retração de -0,32% em novembro ante os preços praticados em outubro. Mas, no cenário comparativo entre os meses de novembro do ano passado e de 2020, o índice fica positivo: uma alta de 13,1% entre os anos.
E mesmo com o preço ‘salgado’, a associação identificou elevação nas compras feitas nos supermercados brasileiros. Em novembro o consumo subiu 1,97% frente a outubro. Os dados da associação apontam ainda que, de janeiro a novembro de 2021, o consumo se manteve positivo, acumulando 2,88%.
“As ações promocionais dos supermercados em novembro, a diversidade de marcas como alternativas para os consumidores de menor poder aquisitivo conjugadas com o pagamento do 13º terceiro aos trabalhadores assalariados contribuíram para o aumento do consumo nos lares”, explica o vice-presidente institucional da Abras, Marcio Milan.
Em análise feita Geraldo Sant’Ana de Camargo Barros, coordenador científico do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada) da Esalq/USP (Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz, da Universidade de São Paulo), sobre o agronegócio , o especialista destacou a importância dos programas de transferência de renda para, principalmente, compra de comida em 2021. “Estima-se que 53% dos recursos transferidos foram dispendidos em alimentação.”
Cristiane Bonin
cristiane.bonin@jpjornal.com.br
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