Economista Clemente fez o levantamento dos dados e alerta para a importância do papel do Estado
A RMP (Região Metropolitana de Piracicaba) abriu 31.028 empresas em 2021 e 64% delas ainda permanecem ativas. Mais de 80% deste grupo estão no formato MEI (Microempreendedores Individuais), sinalizando crise econômica e falta de empregos formais. O levantamento e a análise são do economista especializado em gestão pública e estatística aplicada, Ewerton Louis Olivieri Clemente.
“Minha avaliação é de que esse movimento é resultado principalmente da crise econômica originada pela pandemia [de covid-19], que fez com que muitos empregados que perderam o emprego fossem obrigados a empreender como única alternativa de renda. Além disso, as atividades econômicas preponderantes são comércio de roupas, salões de beleza, lanchonetes e promoção de vendas, indicadores que reforçam nossa avaliação”, diz Clemente que também é consultor em Desenvolvimento de Cidades na Agegov Soluções.
Para este ano, pairam as incertezas sobre a RMP bem como sobre o Brasil. “Embora a economia brasileira deva crescer aproximadamente 4,5% em 2021, dificilmente esse comportamento será mantido neste ano. Isso porque o crescimento desse ano é aquilo que os economistas chamam de efeito estatístico, em razão dos reflexos da pandemia em 2020. Na prática, não iremos crescer, apenas recuperar os estragos de 2020.”
Além de uma base de comparação mais robusta interanual, Clemente alerta para a piora dos indicadores macroeconômicos para 2022. “No final do primeiro trimestre desse ano, esperávamos uma inflação de 3,5% e crescimento de 2,3% para o próximo ano. As últimas projeções são de aceleração da inflação para mais de 5% e crescimento de menos de 0,5%. Fatores como a incerteza fiscal e eleitoral, os choques de oferta e a queda dos preços de commodities, que estão diretamente ligados aos ciclos de crescimento da economia brasileira, são fortes elementos para nos fazer crer que teremos um 2022 cheio de desafios.”
Guardadas as devidas especificidades, o economista alerta que a RMP também sofrerá os impactos desse cenário ruim, mas em menor proporção. “O aumento da taxa de juros para mais de dois dígitos deverá desestimular ainda mais o consumo e o investimento, tornando ainda mais difícil a recuperação. Mesmo assim, eu acredito que os municípios da região devem pensar estratégias de desenvolvimento para minorar esses impactos e fomentar a recuperação.”
Destacando a importância do Estado, Clemente sugere à região ações como desburocratização e melhoria do ambiente de negócios, programas de compras públicas municipais como forma de ativar a produção e comércio local, educação empreendedora, investimento em pesquisa e qualificação da mão de obra, entre outras. O especialista cobra dedicação ao PDIU (Plano de Desenvolvimento Urbano Integrado) e enxerga desenvolvimento concentrado em Piracicaba, Limeira e Rio Claro, ampliando as desigualdades regionais. “Mapear os principais desafios e oportunidades a partir da consideração da vocação regional e definindo estratégias de desenvolvimento para pelo menos dez anos são políticas públicas que provaram ser efetivas nos últimos meses, principalmente no caso das cidades menores.”
Cristiane Bonin
cristiane.bonin@jpjornal.com.br
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