10 de julho de 2026

Campeão de bilheteria na cidade, Vicentini é premiado no exterior

Por Laís Seguin |
| Tempo de leitura: 2 min

‘Doutor Hipóteses, uma alma perdida na pandemia’ segue agora para Roma

O cinema alternativo brasileiro arrebatou dois prêmios em dois festivais nos Estados Unidos, o OTB (Only the Best Film Awards) e Ficocc (Five Continents International Film Festival). O filme ‘Doutor Hipóteses’, do cineasta e ator Vicentini Gomez, levou as categorias de melhor ator protagonista e melhor filme longa-metragem realizado durante a pandemia nas duas competições. A película ainda concorre agora, em janeiro, ao festival de Roma. O público poderá conferir tudo a partir de abril. Filmado em um ambiente de garagem, Vicentini é o único ator humano, que troca com os bonecos diálogos de posse, amor, ódio e sedução, transcendendo a normalidade. Vicentini teve sua história marcada no Teatro Municipal Dr. Losso Netto, com suas mãos eternizadas na parede do espaço cultural sob o título do artista com maior número de público em espetáculos até meados dos anos 90.

Para o novo longa, a comemoração veio ‘de fora’. “No Brasil, participamos apenas como convidados. Ao redor do mundo, começamos a ser premiados.” De posse do roteiro e uma equipe de cinco profissionais, o longa foi gravado com 27 personagens. A inspiração veio de uma somatória na cabeça do diretor: depressão, o texto ‘Os malefícios do tabaco’, de Anton Tchékhov, e um feixe de luz nunca visto.

“Com a chegada da pandemia, todos os projetos foram suspensos. Neste período, enfrentei uma séria depressão. Um dia, desci até a garagem da produtora e fiquei pensando sobre a situação que a humanidade enfrentava. Percebi um raio de luz belíssimo invadindo a garagem. Nunca havia percebido aquela luz em 20 anos que ali frequentava. Fiquei contemplando e decidi que um dia iria filmar algum produto ali. Com a mente inquieta, abri uma pasta no computador e reli um texto do que uso sempre nas oficinas de interpretação que ministro. Aquele texto e a fresta de luz me inspiraram tanto que atravessei a noite escrevendo. No dia seguinte, estava com um roteiro de 120 páginas.”

Cristiane Bonin
cristiane.bonin@jpjornal.com.br

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