Eles são protagonistas nesta época do ano, com vídeos que mostram os felinos escalando árvores de Natal
Endiabrados ou apenas curiosos. Escaladores natos. Os gatos domesticados ainda mantêm seus instintos naturais e, na época de Natal, eles se tornam protagonista em vídeos viralizados na web. A interação deles com a árvore típica da festa natalina pode causar bagunça ou mesmo levá-los a uma emergência veterinária. É claro que cada animal tem seu perfil: uns são mais tranquilos e outros, nem tanto. O ideal é observar o comportamento do seu bichinho e checar se há algum risco na sua decoração de fim de ano, alerta a veterinária Rita de Cássia Danyluk Mäder.
A fisioterapeuta Mariana Furlan Falconi tem um casal jovem em seu apartamento: Diamond, com três anos, e Lizzie, de dois. Ela está no grupo dos que desistiram da decoração típica – mas por falta de tempo. Já sabendo do ritmo dos bichos, Mariana optou em não ter muita decoração em casa durante o ano todo. A atividade entre os bichanos é aquela tradicional: pega-pega, ‘lutinha’, mordiscar as plantas e derrubar itens no chão. Consciente do comportamento de seus gatos, no apartamento, a tutora introduz novos objetos simples no ambiente, como bolinha de papel ou caixa de papelão. E Diamond e Lizzie têm o privilégio de sair para passear. “Sempre levo eles na casa da minha mãe para desestressarem. Xeretam a decoração, mas, não mexem muito. Lá tem bastante espaço pra andarem e explorarem porque ela mora numa chácara.”
Outro casal, a siamesa Sylvia, de 13 anos, e o Liu, um rajado de cinco anos, vive sob a tutela da arquiteta e urbanista Giovana Nicoleti Brusantin. Ela optou por uma árvore pequena e o pisca-pisca, às vezes, deixa o mais novo encucado. Mas o perfil de ambos é de tranquilidade. “E não foi nada ensinado”, destaca Giovana. Ela aplica a mesma tática da fisioterapeuta Mariana: mantém novidades no ambiente e disponibiliza estrutura para a escala e arranhador. “eu interajo muito com eles e, depois da pandemia, acabei ficando em home office de vez. Eles estão sempre comigo no escritório ou ‘assistindo’ televisão. Fica todo mundo no sofá, o Liu gosta muito de colo”, conta.
Já a contadora Tatiane Rodrigues Bandoria tem um bichano só e está no grupo dos que realmente desistiram da árvore de Natal porque sabe do temperamento do Milk, um gato branco, castrado, de um ano e meio de idade. “Ele é terrível e não vai dar certo”, comenta ela sobre a hipótese do décor. A decisão de Tatiane é correta, segundo a veterinária. Isso porque a tutora de Milk conta que Milk constuma morder e engolir objetos, o preferido é o elástico de cabelo. “Já precisou até fazer ultrassom, pois, vomitou cinco que tinha comido. Uma vez, fui viajar e deixei uma caixinha com tampa dentro da gaveta do banheiro. Ele conseguiu entrar pela lateral e roubar os elásticos.”
Outra que desistiu da árvore de Natal é a secretária Angelise Sallera Bongagna. Ela tem três gatas e está com uma muito jovem, de seis meses. “Penso que se montar a árvore grande este ano a menorzinha vai ficar alucinada e vai fazer bem mais que só ‘jogar futebol’. A jornalista Adriana Ferezim tem cinco gatos, com idades entre 10 e dois anos. Apesar de ter deixado de lado o hábito da montagem da árvore há anos, ela conta sua estratégia para afastar os bichanos. “Eu sempre tive gato, desde criança: toda árvore de Natal é alvo deles. A nossa tática era dar bronca ou pegar ´no pulo´ sempre que algum deles se aproximava da árvore, agindo preventivamente.”
PARQUE DE DIVERSÃO
A veterinária Rita Mäder começa a conversa sobre os felinos falando do comportamento típicos deles: super curiosos, brincalhões e adoram escalar. “Na natureza, eles passam boa parte do tempo em cima de uma árvore, de um telhado. Em casa, colocamos prateleira, banquinhos para eles subirem, além de arranhadores. Isso porque a necessidade de subir junto com a curiosidade é uma característica deles. E, ao enxergar uma árvore de Natal cheia de bolinhas e luzes piscando, ele vai pensar: encontrei meu parquinho de diversões.”
Não é recomendável, para quem tem gato, peças decorativas pequenas ou frágeis, como vidro. A ingestão pode fazer com que o bichano passe por uma cirurgia de emergência. “Também é bom evitar fio, cabo, arame, que podem se quebrar, se soltar ou, até mesmo, enroscar nos gatinhos. Luzes e enfeites temos que ter muito cuidado porque, quando ligados na rede elétrica, e o gatinho pode querer brincar ou roer e pode levar um choque.”
Para os que queiram manter a tradição natalina, Rita recomenda usar enfeites de tecido ou feitos de material como sisal, que são mais resistentes e mais seguros. “Também é possível fazer brinquedos para os gatos na decoração de Natal, como uma varinha que balança e mexe: o gato adora coisas que se movimentam. Também é bom observar o seu gato: se ele costuma ingerir tecido, fio ou coisas semelhantes, tem que haver mais cuidado.”
Cristiane Bonin
cristiane.bonin@jpjornal.com.br
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