“Nos finais de ano, a gente normalmente sente que a procura pelo trabalho do CVV aumenta”, diz a voluntária Eliane
Neste Natal, por mais que muita gente se reúna com suas famílias para comemorar, muitos voluntários irão doar seu tempo para uma causa nobre: ajudar o próximo. E um desses grupos de suporte é o CVV (Centro de Valorização à Vida). O CVV trabalha 24 horas por dia, todos os dias, sem pausa ou interrupções. E neste Natal, assim como em todas as outras épocas do ano, muitos voluntários estarão longe de suas famílias, ajudando por telefone quem mais precisa.
Uma dessas voluntárias é Eliane Soares, parte integrante do CVV há 21 anos. Ela diz que teve a ideia de se juntar ao CVV logo após a faculdade, e, desde então, nunca mais parou. “Quando acabei minha faculdade e a pós-graduação, eu estava com bastante tempo livre e queria usar um pouco desse meu tempo para fazer um trabalho voluntário em que eu pudesse ajudar as pessoas a dar um novo sentido na vida delas”, conta. “Por isso decidi fazer o curso e entrar para o CVV.”
Embora o trabalho do CVV se estenda a nível nacional, aqui em Piracicaba o grupo tem sua sede estabelecida na rua Ipiranga, no Centro da cidade, entre as ruas Governador e Boa Morte. Aliás, a sede piracicabana completa 40 anos de existência agora em 2022; são 40 anos funcionando sem pausa e em todas as épocas do ano.
“As pessoas procuram o CVV para conversar, para falar um pouco de suas dores. Às vezes, essa pessoa fala com a família e a família quer que ela esteja alegre (principalmente em época de Natal ou Ano-Novo), quando, na verdade, a pessoa se sente triste por dentro”, conta Eliane.
O período natalino, embora seja marcado por festas e reuniões familiares, nem sempre é alegre para todo mundo. Eliane diz que nessa época, principalmente por volta dos dias 22 e 23, o número de ligações para o CVV costuma aumentar bastante. “É um trabalho que não para. E nos finais de ano a gente normalmente sente que a procura pelo trabalho do CVV aumenta. Acho que isso acontece, pois se trata de um período de introspecção”, reitera. “A pessoa costuma fazer um balanço do ano e das perdas que teve pelo desenrolar dos meses, principalmente em decorrência da pandemia que tivemos”.
LIGAÇÕES EM NÚMEROS
Com a implantação do telefone 188, o CVV tem recebido uma média de 13 mil ligações por dia. Assim que a pessoa liga para o grupo, ela é automaticamente redirecionada a um voluntário que estiver disponível. “Ouvir é uma arte. Como voluntários, nós não podemos dar palpite e nem fazer aconselhamentos à pessoa, até porque não é isso que ela quer. O que fazemos é acolher a pessoa pela dor. Ouvir não é simples, é uma coisa que requer muita atenção e desprendimento de nossos valores, pois as pessoas que ligam geralmente têm valores diferentes dos nossos.”
Eliane diz que todos aqueles que praticam um trabalho voluntário, seja ele qual for, têm sempre muito a aprender. E o mais essencial nessa dura tarefa de ajudar o próximo é o prazer e a felicidade que volta ao voluntário quando ele ajuda.
Rafael Fioravanti
rafael.fioravanti@jpjornal.com.br
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