08 de julho de 2026

Comércio e serviços têm queda na faixa dos 60% para geração de emprego

Por Laís Seguin |
| Tempo de leitura: 2 min

A economista Cristiane Feltre menciona um ciclo vicioso a ser quebrado: preços altos e arrocho do orçamento

Levantamento exclusivo da Fecomércio (Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo) para o JP mostra queda do emprego na microrregião de Piracicaba na faixa dos 60% para os setores de comércio e serviços no comparativo entre este ano e 2020. A economista Cristiane Feltre, professora do Centro de Economia e Administração da PUC Campinas (Pontifícia Universidade Católica) e criadora do perfil nas redes sociais Região Metropolitana de Piracicaba (RMP) em Números (@rmpemnumeros), confirma a tendência englobando todos os setores. Neste ano, a criação de novos postos de trabalho na RMP caiu de uma média mensal, entre abril e setembro, de 3.000 vagas para abaixo de 500. Na outra ponta, as áreas com maior nível de contratação foram o segmento de ferragens, madeira e materiais de construção para comércio e, no setor de serviços, o destaque é transporte.

Sobre o comércio, a federação informa que “(…) outubro marcou a sexta evolução seguida do emprego celetista no comércio da região. No mês, houve avanço de 6,5% no saldo positivo em relação a setembro de 2021, mas, uma queda de 67% em relação ao desempenho observado em outubro de 2020”. Agora, para serviços, a apuração da Fecomércio não mostrou melhores resultados frente ao comércio. “Observando a evolução do saldo de vagas nos últimos treze meses (setembro 2020 a outubro 2021), vê-se que o resultado positivo do último mês de outubro é 17% menor que o do mesmo mês do ano passado e 62% inferior ao desempenho de setembro de 2021.”

“Ainda este ano sofremos os reflexos causados pelas incertezas da pandemia. O setor do comércio depende diretamente do poder de consumo das pessoas e isso ainda era incerto até alguns meses atrás. Não podemos deixar de citar a queda do poder de compra do consumidor, motivada também pela alta da inflação neste ano. Quanto menor o consumo, menor o movimento no comércio, restaurantes, bares. Fato que reflete diretamente na geração de empregos. Mesmo com a expectativas de melhora nos próximos meses, os empresários ainda estão se reestabelecendo. A grande expectativa para as contratações no setor sempre é para mais próximo do Natal, portanto, outubro ainda é apenas o início do último trimestre do ano”, pontua o presidente da Acipi (Associação Comercial e Industrial de Piracicaba), Marcelo Cançado.

Apesar de a economia em Piracicaba não estar atrelada especificamente aos setores de comércio e serviços, a demanda sobre ambos é uma ‘temperatura’ de como vai a economia. “A população está se deparando com aumento de preços de serviços e bens essenciais. Com um orçamento apertado, o consumo é menor. Este grupo pertence a 62% do PIB [Produto Interno Bruto], resultando em um movimento para menos vagas de emprego a partir de um consumo menor”, diz a economista Cristiane Feltre sobre o ciclo vicioso atual.

Cristiane Bonin
cristiane.bonin@jpjornal.com.br

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