Em Piracicaba, uma idosa de 64 anos procurou a Polícia Civil do município, após tomar ciência da abertura de um cadastro em seu nome. O caso foi registrado como estelionato.
A vítima contou à polícia que foi a uma loja no Centro da cidade para realizar uma compra no crediário, quando tomou ciência de que sua compra não poderia ser feita, visto que estava com o "nome sujo" em uma loja revendedora de produtos de cosméticos e perfumaria. Para esclarecer o ocorrido, a vítima foi até a sede da revendedora de cosméticos, na avenida Independência, onde descobriu que alguém havia feito um cadastro como revendedora de produtos utilizando seu nome e CPF. Posteriormente, como a pessoa não realizou o pagamento das mercadorias revendidas, no valor de R$ 260 reais, o nome da vítima acabou negativado junto ao SPC.
Ainda na sede da revendedora de cosméticos, a vítima tomou ciência de que a pessoa exibiu dois comprovantes de endereço em seu nome para a abertura do cadastro. Ambos endereços desconhecidos pela vítima. Descobriu também no sistema a existência de uma foto sua, segurando o RG ao lado do rosto. Ocorre que a vítima também nunca tirou essa foto para efetivação de cadastro na loja.
Ciente de tudo isso, a funcionária da revendedora entrou em contato com a central da empresa para que a negativação do CPF da idosa fosse retirado. Ainda tentando ajudar, a funcionária forneceu à idosa o número de celular que a aparente golpista utilizou para abertura de cadastro se passando pela vítima.
Na delegacia, a vítima também contou que nunca perdeu seus documentos pessoais e desconhece quem possa ter aberto o cadastro na loja em seu nome. O delegado Gillys Esquitini Scrocca tomou ciência do ocorrido e registrou o caso como crime de estelionato.
Primeiro semestre de 2021 registrou aumento de 387% no número de dados vazados no Brasil
Uma análise recente, apresentada pela PSafe, empresa de segurança digital, ressaltou o número impressionante de mais de 4,6 bilhões de dados pessoais vazados, entre pessoas físicas e CNPJ, nos seis primeiros meses de 2021. Isso significa um aumento de 387%, quando comparado a todo o ano de 2019, que registrou 1,2 bilhão.
De acordo com a projeção da empresa, a tendência é de que 2021 ultrapasse as quase 10 bilhões credenciais vazadas identificadas em 2020. Cenário que coloca um ponto de interrogação em como proceder para evitar que dados e informações pessoais e financeiras caiam em mãos erradas.
Segundo Anderson Souza Brito, CEO da Revhram, empresa especializada em assessoria e intermediação de operações cambiais, desde 2014 o Banco Central do Brasil disponibilizou uma ferramenta gratuita e acessível a todos os cidadãos e empresas brasileiras, que ajuda a monitorar o vazamento e utilização indevida de informações, principalmente na área financeira.
Pouco conhecido pelos brasileiros, o Registrato permite consultar relacionamentos de clientes com instituições financeiras e identificar irregularidades. No sistema é possível realizar consulta sobre as transações abaixo, entre outros dados:
• contas bancárias abertas em seu nome;
• chaves Pix criadas;
• empréstimos e financiamentos;
• dívidas com cartões de créditos;
• câmbios realizados nas aquisições e vendas de moedas estrangeiras;
• cheques sem fundos
“Essas consultas são de extrema importância, pois através delas é possível fazer o acompanhamento das suas realizações financeiras e detectar eventuais utilizações indevidas em seu nome. Caso exista um registro indevido, basta realizar um boletim de ocorrência e procurar a instituição financeira para que a irregularidade seja corrigida”, explica Anderson.
Para acessar o Registrato, basta efetuar o cadastro no aplicativo ou site do banco com o qual a pessoa possui um relacionamento e selecionar a opção Registrato. A partir daí é possível consultar periodicamente e com fidedignidade uma série de informações, até as mais recentes como as chaves Pix.
Rafael Fioravanti | rafael.fioravanti@jpjornal.com.br
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