10 de julho de 2026

Coletivo de blocos carnavalescos pede diálogo para realizar festa dentro de protocolos sanitários

Por Laís Seguin |
| Tempo de leitura: 2 min

Sete grupos assinaram manifesto ontem pleiteando realizar evento e reclamam de fala do prefeito

Não caiu bem a fala do prefeito Luciano Almeida (DEM) classificando os blocos carnavalescos da cidade por “bloquinhos”. O Coletivo de Cordões, Blocos e Manifestações da Cultura publicou ontem (sexta-feira) um manifesto por escrito apontando a relevância cultural da festa; a organização do Poder Público e sociedade civil na recém-criada Comissão de Análise e Organização do Carnaval; e a necessidade de abertura de debate e edital para manter o desfile em ambiente controlado ou de forma virtual. Assinam a manifestação o Cordão do Mestre Ambrósio e os blocos Pira Pirou, Ema, Baque Caipira de Maracatu, Salomé, Amor e Boçais.

No último dia 6, o prefeito Luciano Almeida aparece em vídeo em uma rede social da prefeitura abordando especificamente o assunto carnaval. O coletivo destaca que tanto os cordões como os blocos estão presentes nas ruas, realizando desfiles com cortejos numerosos e de qualidade, um trabalho iniciado há 15 anos.

“Já não tem carnaval de rua em Piracicaba há muito tempo. Há alguns anos, teve alguns bloquinhos. A legislação hoje é clara: eventos na rua, sem controle de entrada e de acesso, estão proibidos. Não mudou nada. Está proibida a realização de carnaval de rua. O que vamos monitorar e acompanhar, o que foi discutido pela Região Metropolitana de Piracicaba com prefeitos, é que, caso, lá pelo dia 30 de janeiro, após os eventos de Natal, Réveillon e férias, se os indicadores apontarem alguma piora, teremos que ser mais restritivos e nem eventos com controle, fechado, poderão ser realizados”, disse o prefeito.

Sobre o discurso de Luciano Almeida, o coletivo aponta “a fala demonstra um grande desconhecimento e desrespeito com a história e o trabalho construído há anos”. Eles pleiteiam abertura de conversas com a administração municipal para firmar políticas públicas, maior envolvimento e diálogo com a comissão nomeada para o carnaval, promoção da cultura de forma democrática, descentralizada e gratuita, com apoio de infraestrutura e recurso.

“Acerca destes apontamentos, é imprescindível construir através do Edital de Chamamento em andamento, um processo de valorização do carnaval e de participação dos coletivos na construção democrática desta política pública”, finaliza o manifesto. A prefeitura foi questionada e não prestou quaisquer esclarecimentos.

Cristiane Bonin
cristiane.bonin@jpjornal.com.br

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